1 de março de 2017

Rick, Morty e o carnaval (Lista do Zé #13)



Olá, olá!

E este é o texto de fevereiro sendo entregue em... MARÇO. Carnaval + gripe dá nisso. Mas antes tarde do que nunca e o texto deste mês ainda está de pé (eu espero).

Voltaram bem da folia? Quantas horas de séries maratonadas? A indicação de hoje é para curar qualquer tipo de ressaca.

Rick and Morty

Todo mundo tem aquele amigo de Facebook (ou Twitter, para os que ainda usam) que parece prever as tendências cinematográficas ou televisivas. Não é o cara que reproduz o que os grandes sites escreve, mas que vai até onde a grande mídia não vai (ou não recebe para ir) e desencava alguma coisa legal. Foi assim que, há um tempo atrás, eu descobri a série Community, que rapidamente se tornou uma das coisas de tevê mais legais que já assisti (e um dia eu preciso escrever um texto a defendendo daqueles impuros de coração que a detratam). Esse texto não é sobre Community ainda, mas sobre a última aventura do seu criador, Dan Harmon.

Já em Community, vários episódios especiais de animação denunciavam as experiências de Harmon com desenhos animados, já que o cara montou uma empresa só pra isso. E aí, nessa minha "timelinda" das redes sociais, dois nomes começaram a ecoar: Rick e Morty. Apesar de ser apaixonado por animação, talvez eu deixasse passar, com tanta coisa pra ver... Mas aí o Sr. Google me entregou que os dois famigerados personagens que dão nome a esta animação do Adult Swim saíram da cabeça de Harmon, em parceria com Justin Roiland, dublador com programas como A Hora da Aventura e Gravity Falls no currículo. A animação surgiu a partir de uma ideia de Roiland, que produziu uma série de vídeos em flash chamada The Real Animated Adventures of Doc and Marthi, uma paródia non sense (e não recomendada para menores) de De Volta para o Futuro. É bem tosco e você pode ver aqui por sua conta e risco.

Para a tevê, Doc e Marthi ganharam novos nomes e um espectro de aventuras mais amplo: acompanhamos agora o cientista arrogante e bebarrão Rick em aventuras extra-espaciais (ou dimensionais ou CORPORAIS ou aonde for) junto com seu neto Morty. A relação entre os dois lembra muito a dinâmica consagrada em Doctor Who, do ser quase onisciente sobre o universo e tudo mais e sua companion curiosa. A diferença é que Morty é um garoto inseguro e covarde, que na maioria das vezes é arrastado para as aventuras do avô contra a sua vontade.

Tudo é muito maluco nos episódios, mas ainda assim muito bem amarrado. Com muitas referências a grandes clássicos da ficção científica, a animação tem roteiro sempre imprevisível, levando seus finais até as últimas consequências, mesmo que isso envolva humor negro e um pouco de gore. Mas é engraçado como, mesmo assim, existe uma narrativa muito clara onde acompanhamos o quanto os personagens mudam no decorrer da série. Um momento em especial tem uma força poderosa na animação: o forte final do episódio "Rick Potion #9". Dá pra se fazer uma tese de doutorado a respeito dele. De verdade. Quem assistia Community vai entender a habilidade de Dan Harmon em transformar uma aparentemente simples história para rir numa grande mensagem existencialista (alguém lembra do episódio "Remedial Chaos Theory", de Community?).

"Parece Os Simpsons ou South Park?", alguém pode perguntar. Em alguns momentos lembra o primeiro, mas os personagens (especialmente Rick) parecem ter saído do segundo. Falando nos Simpsons, uma propaganda do Adult Swim mostra o que poderia ser o encontro entre as duas séries (e já deixa bem claro as diferenças entre elas).

Mas o humor de Rick and Morty não é fácil, o que foi uma das primeiras razões para eu ter demorado a escrever sobre a animação. Explorar os problemas do American Way of Life faz com que sobrem críticas para todo mundo. Depois de ver as duas primeiras temporadas, ambas disponíveis na Netflix, fiquei maluco para conversar com alguém a respeito. São poucos os textos sobre a animação na web, me fazendo pensar que ela talvez incomode muito mais do que faça fãs, seja por seu lado gore, seja por que algumas piadas, embora não visuais, sejam de embrulhar o estômago.

Ah, a insanidade continua, por que a terceira temporada começa a ser exibida neste mês no Estados Unidos.


Já viu a série? Curtiu? Se sentiu incomodado com alguma piada? Conta aí! Responda este e-mail com seus comentários! Você pode também deixar um comentário sobre esse texto no meu Facebook, no post sobre ele.

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Bem rapidinho

  • Quem Matou João Ninguém? e Steampunk Ladies chegaram ao Kindle, para quem sempre me perguntava! Procure na Loja Kindle, caso já seja um adepto da leitura digital como eu.
  • Em mais um episódio da série Roteirismos, do Avantecast, eu e o PJ Brandão conversamos com a Petra Leão (roteirista da Turma da Mônica Jovem) e a Débora Santos (nome em crescimento no quadrinho cearense alternativo) sobre arte comercial e autoral. E ficou bem legal. Escuta aí!
  • E reforçando: vai rolar a CCXP Tour, em Recife, durante a semana santa. Estarei lá, no Centro de Convenções de Pernambuco, de 13 a 16 de abril, dividindo mesa com o parceiro Nycolas Di. Se vai, quero te encontrar lá!
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Acabou o carnaval, bora nós pra mais um ano!


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30 de janeiro de 2017

E o tal do edital? (Lista do Zé #12)



Olá, olá!

12º texto... Um ano de textos na Lista do Zé! E chegando hoje, no chamado Dia do Quadrinho Nacional. Aos que gostaram do texto sobre Economia Criativa, dessa vez vamos falar sobre como financiar o seu trabalho artístico através dos editais de incentivo.

(Ah, vale lembrar que esses textos podem ser enviados diretamente para seu e-mail, é só se cadastrar no final desta postagem)

(a tira que ilustra este post é do Carlos Ruas)

E o tal do edital?

Meus dois primeiros quadrinhos longos foram lançados com recursos de editais de incentivo. Para quem não sabe esses editais são uma espécie de seleção de projetos para serem apoiados por uma instituição pública (bancos, prefeituras ou governos estadual e federal) ou privada (empresas como Oi, Coca-Cola e muitas outras). Essas instituições têm recursos para investir em projetos culturais. O que elas ganham com isso? Bom, as instituições públicas normalmente fazem isso por que é papel delas dar este apoio e tem orçamentos próprios para isso (e não dá para apoiar qualquer um que bata na porta de uma secretaria ou ministério da cultura). Já as privadas usam esta seleção como uma forma de selecionar projetos que irão patrocinar, recebendo em troca a divulgação da marca da empresa no material promocional do projeto apoiado.

Vou para meu quarto projeto financiado por edital. Às vezes fico até meio envergonhado de falar isso, mas a verdade é que sem esse tipo de apoio eu provavelmente não conseguiria fazer quadrinhos. A esta altura do campeonato você já sabe que eu sou roteirista e que preciso de desenhistas para os meus álbuns, pessoas que posso pagar através destes editais. O que talvez você não saiba é que sem estes recursos quem trabalha comigo teria de esperar o álbum ser lançado, normalmente entre seis meses e um ano depois que o trabalho começa, para começar a ganhar alguma coisa, especificamente quando ele começar a ser vendido (e eu nem vou falar aqui do quanto se ganha com as vendas, mas saiba que é bem pouquinho para quem está começando). E como é que alguém trabalha durante um ano numa coisa sem ganhar nada por ela nesse período? Bom, bem-vindo ao mercado nacional de quadrinhos, este lugar de pessoas apaixonadas e um tanto malucas.

Então o fato é que tenho participado de todo edital que posso desde 2010. Se hoje é bonito falar que ganhei quatro paradas dessas, preciso dizer antes que passei três anos apenas PERDENDO. E mesmo o primeiro edital que ganhei, que possibilitou Quem Matou João Ninguém?, acho que só cheguei lá por que concorri 1) numa categoria de quadrinhos e 2) apenas com projetos do interior do Ceará. Arrisco a dizer que talvez só o meu projeto e o outro vencedor tenham se inscrito na época... Mas meu caso é uma exceção: na maioria das vezes esse tipo de edital é bem concorrido. Algumas áreas da cultura brasileira são extremamente dependentes de editais, como o audiovisual (por conta dos altos custos para ser realizado). Isso faz com que uma seleção nesta área seja um verdadeiro campo de batalha de projetos. Então, o que se pode fazer para ter um pouquinho mais de chance de se acessar esse tipo de recurso?

Primeiramente ter um bom projeto e um currículo interessante, para provar que irá conseguir realizá-lo. É por isso que os editais não são para quem está dando os primeiros passos. Em 2013, quando ganhei meu primeiro edital, eu já tinha nove anos de produção de quadrinhos. Eram fanzines e eventos pequenos, mas coisas que davam CREDIBILIDADE para mim e para o meu projeto. E nem preciso falar da importância dessa experiência para ter uma proposta razoável e que convencesse os avaliadores do edital de que o resultado prestaria, né?

É bom ter em mente também que você vai começar uma relação em que você será extremamente cobrado por quem vai lhe financiar. Por isso já na inscrição rola o primeiro filtro: o da paciência. Os processos seletivos exigem uma série de documentos e é preciso persistência e organização para juntar tudo. Mais do que isso, quem quer pleitear um recurso assim precisa da tal paciência para LER o edital. Parece bobagem, mas a maior parte do segredo de ganhar algo assim está em ler e entender o que é pedido. Muita gente reclama de tanta burocracia, tanto documento, tanta certidão e tanto esclarecimento. Mas veja bem: é dinheiro público sendo "dado" para alguém num país onde a corrupção... Bom, você já sabe. Muitos projetos apoiados em editais não são concluídos nunca. Às vezes por inexperiência ou outros problemas pessoas do artista/realizador (o que valeria até um novo texto). Mas muitas vezes por safadeza mesmo.

Para navegar neste mar de exigências, eu sempre digo para todo mundo que outro fator chave para conseguir ganhar meu primeiro edital foi conversar com pessoas que já tinham ganhado este mesmo edital antes. Eu acho que essa é a dica de ouro para ajudar no entendimento dos pontos mais esquisitos do linguajar burocrata de um edital.

Mas a burocracia é importante para ensinar uma primeira regra para quem quer ser financiado pelo governo: vai piorar se você ganhar. Depois de selecionado, para receber a grana tem mais um pouquinho de burocracia: envio de certidões, abertura de conta bancária, assinatura de convênio... E quando o dinheiro vem, vem também a necessidade de se cumprir as exigências da instituição sobre como vão ocorrer os pagamentos e as prestações de conta. Algumas vezes você recebe a grana numa conta que tem que gerenciar e em outras precisa encaminhar notas fiscais para um setor competente antes ou depois do pagamento. Cada edital tem seu jeito de funcionar. Para você ter uma ideia, um edital do governo do estado que ganhei três vezes funcionou de uma forma diferente em cada uma dessas três vezes. Houveram mudanças BRUSCAS de um ano para o outro na forma de inscrição e de execução. Entender o funcionamento em cada uma das vezes me exigiu várias visitas à secretaria da cultura e muitas ligações telefônicas. E é MUITO IMPORTANTE fazer todos os procedimentos da forma correta, já que, no caso dos editais de entidades públicas, trata-se de dinheiro dos contribuintes. Você terá que prestar conta de cada centavo que gastar. E se fizer algo errado e não conseguir justificar adequadamente, corre o risco de ter que devolver TUDO com correção monetária.

E caso você não seja muito habilidoso com essa burocracia? Bom, pode ser que os editais não sejam o meio ideal para você financiar o seu projeto. Mas ainda há uma alternativa para o seu caso, que seria contratar alguém para fazer o projeto e lhe dar consultoria na sua execução. A maioria dos editais permite que um valor seja previsto para isso (mais uma vez: consulte o texto do edital que está participando).

Por último, editais não são boas opções para quem não gosta de prazos, já que geralmente você já entra no edital sabendo quando tem que terminar seu projeto. Quase sempre é possível negociar possíveis adiamentos, mas eles dependem de autorização da entidade que está financiando sua arte.

Vale lembrar que existem outras formas de se financiar produção de arte no Brasil (nos futuros textos espero falar mais sobre elas). E aí, pronto para correr atrás da grana vai ajudar a realizar o seu trabalho?



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 Bem rapidinho

  • Para quem é do Ceará, está abrindo amanhã o Edital de Incentivo às Artes do Governo do Estado do Ceará. É o bendito edital que financiou meus primeiros trabalhos. Não percam esta oportunidade. Mais informações aqui.
  • A esta altura você já deve estar sabendo que vai rolar a CCXP Tour, em Recife durante a semana santa, confere? Estarei lá, no Centro de Convenções de Pernambuco, de 13 a 16 de abril, dividindo mesa com o parceiro Nycolas Di. Já salvem na agenda.
 

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30 de dezembro de 2016

Falou, 2016! (Lista do Zé #11)



Olá, olá!

2016 já era e eu tenho que dizer: MUITO OBRIGADO! Os textos da Lista do Zé me mantiveram escrevendo e buscando coisas para ler e assistir (neste ano que eu fiz as duas coisas bem pouco). 2017 vem chegando cheio de promessas, entre elas três possíveis novos álbuns em quadrinhos (que eu espero falar mais no próximo texto). Eu mal posso esperar. Por enquanto, vamos de indicação de filme pra tentar terminar este ano estranho em alto astral.

Apenas cante

Será que o diretor John Carney sabia que filmaria um dos momentos mais lindos da história do cinema quando entrou numa loja de música para captar Glen Hansard e Markéta Irglová tocando Falling slowly no filme Apenas uma vez (Once)? Segundo meu correspondente irlandês, por essas e outras, o filme se tornou um patrimônio do audiovisual na Irlanda, sendo hoje um musical permanente exibido em Dublin. Eu demorei pra conhecer esse filme e o trabalho do diretor irlandês. Num dos primeiros podcasts que gravei pro Iradex, falamos sobre o filme Mesmo se nada der certo (Begin again). Eu ainda não tinha visto o filme e fiquei curioso demais por falarem da forma como Carney tratava a música em seus filmes. Vi o filme e depois foi inevitável não assistir Apenas uma vez e ficar completamente obcecado pelo trabalho do diretor. E aí, no segundo texto da Lista do Zé, eu cantei uma bola: tinha saído o trailer do novo filme de John Carney... e o longa deve ser bom. Sing Street estreou em abril e, infelizmente, passou longe dos cinemas daqui (pelo menos por enquanto). Mas eis que, num plot twist inesperado, o filme aparece na Netflix.

Em Sing Street: Música e sonho, Conor é um garoto vivendo na Dublin da década de 1980. Não bastasse a adolescência ser o que é, Conor encara o fim do relacionamento dos pais e os abusos de uma escola conservadora, seja por parte do valentão da vez, seja pelo padre-diretor-perseguidor. Mas tem algo ali que ainda vale muito a pena. Tem toda a efervescência musical dos anos 80. E tem uma garota.

Sing Street: Música e Sonho é até parecido com os filmes anteriores de Carney, já que mostra personagens tentando realizar seus sonhos através da música enquanto acompanhamos o desenrolar de um amor "complicado". Por ser baseado nas memórias de infância do diretor, acho que aqui encontramos algumas das explicações pro seu modo de fazer cinema. Numa parte específica do filme, Conor (ou Cosmo) aprende que o amor é essa coisa "feliz-triste", uma sensação comum a esta última trinca de filmes de Carney. Quem já viu os dois filmes anteriores sabe que seus finais felizes também deixam um gosto amargo na boca. Mas todo esse amargor é dissipado pela aura musical que emana das suas obras, neste último filme homenageando tudo que foi a década de 80, com Duran Duran, The Cure e tudo o mais que você achar que era necessário para ser educado nos anos 80. Sobre esta educação, cabe a Brendan, irmão mais velho de Conor, o papel de mentor nesta jornada musical.

O filme é um espetáculo à parte no momento em que vemos o processo de composição da banda Sing Street, gerando lindos momentos de catarse musical (e espetacular edição de áudio, diga-se de passagem). Se Apenas uma vez gerou a linda Falling slowly e Mesmo se nada der certo a maravilhosa A step you can't take back, Sing Street tem tantas músicas legais que é difícil escolher uma só como o ponto máximo do filme. Pessoalmente elegi Up como a clímax musical do longa. Até pensei em deixar links dos vídeos dessas músicas, mas eu acho um sacrilégio elas serem assistidas primeiro fora do filme. Veja os filmes primeiro e depois se perca nas trilhas sonoras (todas disponíveis no Spotify). E olha só, faltam três dias pro final do ano. Por que não assistir um filme de Carney por dia e acabar o ano com um sorriso no rosto?

Um adendo final sobre o filme é dizer que ele também é sobre irmandade, como a sequência final e a última frase exibida antes dos créditos deixa a entender. E eu lembrei muito do meu correspondente irlandês enquanto assistia o filme. Meu irmão Leco está desde o início do ano em Dublin (MAS NÃO VIU ONCE AINDA!!!!!). E fez aniversário no último dia 28, veja só. Parabéns, Leco! E depois deste filme aprende a escutar mais as bandas que eu sugiro...


Você pode também deixar um comentário sobre esse texto no meu Facebook, no post sobre ele.

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Bem rapidinho

  • Dia 7 de janeiro minha banda Sobre o Fim vai estar no Garage Sounds, em Fortaleza. Bora?
  • Eu e o PJ Brandão convidamos os roteiristas Pablo Casado e Marcio Moreira para falar sobre diálogos nos quadrinhos. Pessoalmente eu gostei muito do resultado. Escute aqui!
  • De novo com o PJ e de novo em podcast, mas agora com o Kaio Anderson e o Gabriel Franklin, conversamos sobre como os serviços de streaming estão nos transformando. Muitas previsões para o futuro do entretenimento neste link.

E até 2017!


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28 de novembro de 2016

Atendendo a pedidos (Lista do Zé #10)


Olá, olá!

Eu fui no Facebook e perguntei pra galera: o que você gostariam que eu escrevesse para a próxima newsletter? As respostas foram bem variadas. Teve gente que pediu para comentar sobre série, alguns sobre estrutura de escrita, outros sobre a situação política do país, alguns tiraram onda... Fiquei pensando no que fazer com as respostas e com a maior pena sobre escrever sobre uma coisa só. Aí lembrei que a Amanda Palmer, uma das minhas pessoas prediletas no mundo, abria uma comunicação com os fãs e depois pegava todos os assuntos abordados nas conversas e fazia uma música. Será que eu conseguiria fazer um texto que fizesse algum sentido com os comentários que postaram neste post? Vejamos.

Faroeste, ficção científica, gênero e Westworld

Um dos principais motivos de eu ter escrito o primeiro volume de Steampunk Ladies é o fato de eu ter uma memória afetiva relacionada aos westerns que meu pai assistia, ainda na época do videocassete. Não me considero um grande fã de bang-bangs, mas aprendi a apreciar o gênero.

Os faroestes se tornaram um gênero próprio de Hollywood, depois de um grande sucesso destas produções nas décadas de 60 e 70. Foi a partir de uma imersão no gênero que começou a construção do roteiro do meu quadrinho, como já é meu costume de trabalhar. No seu ótimo livro Story, Robert McKee fala sobre a importância de se apoderar das principais convenções de um gênero de história antes de começar a escrever dentro dele. Para exemplificar, lembre-se dos filmes de terror (os do cinema, e não este que está passando em Brasília agora, numa trama onde os personagens principais estão limpando todos os seus rastros). O cinema de terror prega que o filme tem uma determinada estrutura: aqueles momentos em que todo mundo espera um susto, um grupo que vai diminuindo conforme a história acontece etc. Se um dia você quiser escrever uma história de terror, um bom início é entender esta estrutura que o fã do gênero já está acostumado. Ou você segue a estrutura (mas incluindo sua própria autenticidade à história) ou pensa numa forma brilhante de subvertê-la (e no caso específico de filmes de terror eu recomendo o excelente O segredo da cabana). Na prática a dica é: faça uma imersão nos melhores exemplos do gênero que você quer escrever e encontre os pontos pelo qual o fã do gênero aguarda. Isto vai evitar que sua história romântica tenha como personagens principais abóboras psicodélicas ou que sua trama de drama político apresente uma cena onde o Steven Seagal recebe uma homenagem do governo russo por serviços prestados (quando o mundo é mais estranho que a ficção). Não que o caminho seja criar uma obra calcada nos clichês do gênero. Acontece que quem gostou dos filmes do Harry Potter espera encontrar em Animais Fantásticos e Onde Habitam certos elementos para se sentirem motivados a comprar aquela nova ideia.

Para Steampunk Ladies eu comecei a me reaproximar dos faroestes, dando preferência ao cinema. Coincidentemente no período que iniciava o argumento, eu estava finalizando o roteiro de Quem Matou João Ninguém?, que tinha um personagem que vivia em função dos filmes do ator Clint Eastwood e foram duas bolas com um bicho piruleta só. Essa experiência colocou o diretor Sergio Leone entre os meus diretores prediletos, mesmo que ironicamente ele seja um dos realizadores que menos se utiliza da estrutura comum dos faroestes norte-americanos (estes muito influenciados pelos spaghetti western italianos). Aproximei-me também dos quadrinhos de faroeste, especialmente os (também italianos) da Editora Bonelli, como Tex e Zagor, conhecidos por seu apuro editorial. Mas é engraçado dizer que, no meio de todas estas boas influências, uma das coisas que mais gostei de me referenciar foi As loucas aventuras de James West, filme do Barry Sonnenfeld estrelado por Will Smith e que normalmente é escrachado pelos fãs de steampunk. O que eu sei é que me diverti pra caramba com esta mistura de faroeste e ficção científica, o suficiente para achar que minha história de faroeste também precisava ser sci-fi.

Recentemente quem tem feito essa mesma mistura de forma brilhante é a série Westworld, que caminha para o último episódio de sua primeira temporada no próximo domingo. Se em Steampunk Ladies eu levei o futuro para o passado, imaginando um mundo que evolui de forma diferente do nosso, em Westworld o passado é levado para o futuro, quando um parque temático se propõe a oferecer a experiência de se viver na virada do século XIX para o XX no oeste americano. E só apenas na sua relação entre ficção científica e faroeste que as obras se encontram. Diferente da minha HQ, a série da HBO é um drama pesado e o tipo de série que abre mil caminhos (e teorias) a cada episódio (sdds Lost). Vale avisar que Westworld é mais sobre ética e inteligência artificial do que sobre os temas comuns de faroeste (justiça e vingança). Pelo menos é o que parece a princípio. O gênero parece importante apenas no momento em que vemos as histórias dentro da história, já que os personagens do parque temático são seres que vivem histórias escritas por roteiristas.

Westworld, um criação de Jonathan Nolan (irmão e principal parceiro do diretor Christopher Nolan) e Lisa Joy, nasce com a tremenda responsabilidade de substituir Game of Thrones, que parte para suas duas últimas temporadas. Contando com a colaboração de um time estrelado (que inclui J. J. Abrams na produção e Anthony Hopkins no elenco), em termos de produção, no momento Westworld é um representante à altura para a tarefa, arriscando-me a dizer que sua primeira temporada é muito superior à primeira da série baseada na obra do George RR Martin. Resta saber se a temática fria, científica e complexa conseguirá ter o mesmo apelo junto ao grande público da sua antecessora.


E você, gosta de faroeste? Já está vendo Westworld? Deixa um comentário pra gente conversar a respeito. Você pode também deixar um comentário sobre esse texto no meu Facebook, no post sobre ele.

No texto passado falei sobre Economia Criativa e fiquei feliz DEMAIS com os feedbacks. Vai ter mais, aguardem.

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Bem rapidinho

  • Estarei no dia 11 de dezembro em Fortaleza, para participar da X Feira Livre de Quadrinhos. O evento reúne apaixonados por quadrinhos e tem como proposta ser uma grande feira de escambo em plena Praça Luiza Távora, em Fortaleza. Vai ter um espaço especial para autores e darei o ar da graça, começando (ainda que timidamente) a voltar a participar de eventos.
  • No próximo final de semana eu poderia estar na roda de samba do Ancelmo, em Forquilha, mas ao invés disso dou início ao retorno das atividades da minha banda Sobre o Fim, com nova formação, começando por um show no AFA, evento que acontece na minha cidade, Sobral, no próximo dia 4 de dezembro. Para o início do ano que vem já temos agendada uma participação no Garage Sounds, no dia 7 de janeiro, num festival que reunirá mais de 30 bandas em 12 horas de show ininterrupto em Fortaleza. Cheguem junto.
  • Eu vou tocar rock em Sobral neste final de semana. Em São Paulo a Editora Draco toca o terror, a fantasia e a ficção científica num estande na CCXP, o maior evento de cultura pop do Brasil. Você infelizmente não vai me encontrar lá, mas vai encontrar meus quadrinhos no estande da editora. No estande da Draco eu destaco ainda os lançamentos dos novos volumes dos mangás Quack e Tools Challenge, este último fazendo sua grande estreia na editora do dragão. Os autores destas obras, Kaji e Max Andrade respectivamente, são pra mim dois grandes nomes dos quadrinhos nacional no estilo mangá da atualidade. Tem também O Despertar de Ctulhu em Quadrinhos, segundo volume da trilogia do “medo duotone”, agora focando no mestre H.P. Lovecraft, capitaneado pelo meu editor Raphael Fernandes (este homem lindo e que nem precisa de dicas minhas pra isso) (P.S.: junto com os autógrafos, peçam nudes pra ele). Procurem também pela mesa do Talles Rodrigues e do Pablo Casado e levem pra casa Mayara & Annabelle – Volume 3, que não é da Draco, mas é foda. E junto peguem o material da Netuno Press que vai estar na mesa do Pablo e Talles e saibam de onde saem os melhores quadrinhos do Ceará na atualidade.
  • Ainda falando em Draco, ontem a editora completou sete anos de vida. Misturando aniversário com Black Friday, tá rolando uma superpromoção no site do dragão, com todos os títulos com 40% de desconto e frete grátis para todo Brasil. Quem Matou João Ninguém? e Steampunk Ladies saem por menos de R$ 40,00 JUNTAS! E a promoção é só até AMANHÃ (29/11/16). CORRE NESTE LINK!
  • O Iradex agora faz parte desse negócio chamado financiamento coletivo recorrente. Através da plataforma Padrim é possível definir um valor mensal para colaborar para que o podcast continue existindo. Felizmente a campanha já é um sucesso além do esperado. É possível que nesta nova fase eu participe mais dos programas (tudo depende da minha tumultuada relação com estes seres chamados Kaio Anderson e Gabriel Franklin). Conheça a campanha do Iradex no Padrim e sinta-se a vontade para contribuir com qualquer quantia a partir de R$ 1,00 por mês e ser um dos “padrins” do podcast.
  • Podcast é a lei mesmo (pelo menos pra mim). Eu, o PJ Brandão e o Luis Carlos Sousa gravamos mais um para o Avantecast, no que agora chamamos de Roteirismos, série de programas focados principalmente no roteiro das histórias em quadrinhos. No último episódio o papo gira em torno de adaptações para quadrinhos, tarefa mais difícil que definir o que é biscoito e o que é bolacha, com a participação especialíssima dos roteiristas Marcela Godoy e André Diniz.
  • Vou dar um destaque especial para o trabalho de três pessoas que acompanham meus textos, até por que acho que todo dia deveria ser de conhecer um autor novo brasileiro. Experimentem os textos do catarinense Leon Nunes e do cearense Leo Mackellene e os quadrinhos do piauiense João Torres. Tá produzindo algo também? Responde este e-mail e divulgo na próxima newsletter. Exclusivo pra assinantes desta listinha, gente boa de coração.
 E por hoje é só, p-p-pessoal.



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31 de outubro de 2016

Grana X Criatividade (Lista do Zé #9)


Olá, olá!

Em homenagem ao Dias das Bruxas (ou Dia do Saci, você decide), o texto de hoje é sobre um assunto que aterroriza algumas pessoas: como ganhar dinheiro com arte e criatividade. É possível?

Lembrando que este e outros textos são enviados mensalmente para a minha lista de e-mails. Para receber na comodidade da sua caixa de entrada, cadastre-se ao final desta postagem.

Na semana passada fiz duas palestras e divulguei um podcast sobre Economia Criativa e pensei que isso poderia ser um tema legal para um texto.

Primeiro preciso dizer que a Economia Criativa salvou a minha vida. Antes eu era convidado para um evento/palestra/seminário/painel e não sabia bem se estava lá por que sou administrador por formação e analista técnico do Sebrae ou se por que sou roteirista de histórias em quadrinhos com alguma experiência em outras áreas de arte e cultura. Quando esse negócio surgiu, o primeiro benefício que recebi foi falar sobre as duas coisas ao mesmo tempo e isso fazer sentido... De forma bem resumida, falar sobre Economia Criativa é falar sobre a possibilidade de criatividade, arte e cultura gerarem alguma grana. Segunda a Ana Carla Fonseca, uma das maiores referências no assunto no mundo, “a economia criativa abrange todo o ambiente de negócios que existe em torno da indústria criativa, aquela baseada em bens e serviços criativos”.

Segundo o termo de referência do Sebrae, o conceito é bem amplo, indo desde museologia, passando por agências de design e editoras de literatura, até as startups, negócios inovadores com alto potencial de crescimento). Num texto muito bacana da Gisela Blanco, ela salienta que "tocar violão nas horas vagas ou fazer um filme com os amigos, apesar de atividades criativas, só vão fazer parte da economia criativa se alguém estiver lucrando diretamente com elas — ou pelo menos tentando". Vamos falar aqui sobre viver disso.

Deixando os conceitos acadêmicos de lado, a gente precisa começar pelo que é fazer arte, cultura ou qualquer outra atividade criativa no país: um exercício brutal de insistência. Isso por que 1) as pessoas não gostam de pagar por produtos culturais (ou tem isso como uma prioridade baixa na sua graninha mensal), 2) o brasileiro ainda vem se desvencilhando do preconceito da arte nacional (que vem lá da década de 50) e 3) uma série de outros problemas históricos, especialmente de educação. Como você já deve saber, eu amo consumir arte. Mas não acho fácil orientar alguém querendo empreender no meio. O jeito mais comum de se fazer arte no Brasil é conseguindo um emprego "convencional", o que garante uma certa segurança, enquanto no tempo livre você desenvolve a atividade artística. E eu tenho que dizer que isso pode ser um PÉSSIMO começo para um negócio nesse meio. Entendam bem, esse é o caminho que EU ESCOLHI. Mas desenvolver um empreendimento, seja em que segmento for, como hobby, na minha experiência, vem se mostrando um jeito muito lento de fazer um negócio dar certo. Isso quando dá certo.

Hobbies são coisas que gostamos de fazer. MASSA, você começou um negócio do jeito certo, fazendo algo que você gosta ou tem vocação. É uma das primeiras coisas que tento saber de uma pessoa que me conta que vai iniciar um negócio aqui no Sebrae. Mas hobbies são coisas que só se faz quando se sobra tempo pra fazer. E aí é que começa o problema. Negócios exigem dedicação, que se entre de cabeça no mundo deles. Um problema que tenho observado bastante com negócios que começam como hobbies é que eles não vão além disso. Acho bem válido que um negócio comece, sim, no tempo livre, até que o empreendedor entenda que ele é viável e que é o momento de imergir nele. Existe até uma expressão no meio das startups pra isso: leap of faith (que literalmente seria o "salto de fé", quando você arruma coragem para abandonar seu emprego "seguro" e se dedica a sua ideia inovadora). Mas é bom sempre se questionar se tendo um emprego em tempo integral você irá conseguir, só pra citar um exemplo, buscar novos serviços ou clientes.

Outra coisa a se pensar é transformar um hobby em trabalho. Um hobby é algo que se faz durante aquele período de ócio criativo, quando se quer esquecer a mecanicidade (acho que essa palavra nem existe, mas você entendeu) da vida real. Aí você decide oferecer aquele seu serviço de desenhista. Aparecem clientes. Aparecem prazos. Aparecem burocracias. E quando você menos se dá conta está achando tão chato desenhar quanto qualquer outro trabalho que já teve. E isso já aconteceu comigo em alguns serviços pagos de quadrinhos. Muito se fala sobre trabalhar com o que se gosta. Muita gente fantasia a respeito e cria grandes expectativas. A verdade é que se sujeitar a um mercado, seja do que for, vai implicar em responsabilidades. E, na boa, tem muita gente pensando que essa coisa de fazer arte ainda é coisa de boêmio, que só precisa se preocupar em criar. Mas tá difícil juntar boemia e grana hoje em dia, como recentemente discuti com o escritor Eneias Tavares no podcast Bestiário Criativo.

Tem ainda a questão "autoral x comercial". Eu sei que este papo de pensar arte comercialmente é um saco pra muita gente. Eu também acredito que a arte tem que ser livre de amarras e distante das esteiras industriais. Que se o artista quiser ele pode fazer aquilo só pra ele, sem se preocupar se alguém vai pagar por aquilo. Boa parte da arte de vanguarda surge assim. Pesquisa aí quando o Van Gogh começou a ganhar dinheiro com seus quadros e você vai descobrir que foi depois que ele morreu (por isso que eu choro quando assisto aquele episódio com ele do Doctor Who). Se seu objetivo é a arte pela arte, maravilha, este texto talvez não sirva pra você. E você não é um artista pior por isso (você é até uma figura necessária no meio). Agora se você quer ser músico aqui no Ceará o caminho mais indicado seria montar uma banda de forró. Mas o que fazer quando você quer tocar heavy metal? Ceder à pressão comercial para viver de música? A resposta vai estar em cada um. Quanto mais longe do comercial, mais tortuoso é o caminho, essa é a verdade. Mas não falo isso pra fazer ninguém desistir. O que ser mais autoral vai exigir do empreendedor criativo é mais planejamento. O que nos leva ao último ponto.

Mas por onde começar? Eu não faço distinção de um negócio de Economia Criativa de outro tradicional na hora de imaginar o início da atividade. No Sebrae indicamos duas ferramentas para abrir os horizontes: o Plano de Negócios e o Canvas.

O Plano de Negócios é uma coisa mais tradicional, indicada quando aquele empreendimento que você está começando é mais comum, ou seja, você está entrando num mercado conhecido (ou mais comercial, como é o caso da banda de forró já citada). É quando já existe bastante informação por aí sobre como ganhar dinheiro com sua atividade criativa. Você vai cair de cabeça neste mercado, entendendo tudinho dele primeiro, e jogar as informações neste documento. O Plano de Negócios é complexo e o Sebrae dispõe de algumas ferramentas para ajudar a fazer um (indico o curso online Iniciando um Pequeno Grande Negócio).

Já o Canvas é uma ferramenta indicada para negócios que são mais inovadores, ou que são menos comuns no mercado. Ele é bem mais simples de se usar, mas serve apenas para modelar o que você vai fazer, no sentido de ajudar você a enxergar melhor como vai ganhar dinheiro com aquilo (e outras nuances do negócio). O melhor lugar para aprender sobre o Canvas é o livro Business Model Generation - Inovação em Modelos de Negócios, dos autores Alexander Osterwalder e Yves Pigneur. O livro é tão bacana que podia muito bem ser uma das indicações que eu costumo dar aqui. Visualmente ele é lindo e o conteúdo, então, nem se fala. Ele mostra técnicas desde modelar o negócio até a hora de apresentá-lo para outras pessoas (incluindo um tal de storytelling, que eu ainda volto aqui pra falar um dia).

Enfim, o importante é começar e se planejar. Sempre li todos os manuais de roteiro e me preocupei com o FAZER da coisa. Não sei se por ser aluno do curso de Administração na época, mas quando comecei a fazer quadrinhos outra preocupação que tive foi entender o mercado para o autor nacional (mesmo ele sendo minúsculo na época). Participava de fóruns, acompanhava editores e formadores de opinião nas redes sociais, concorria em todas as coletâneas e premiações e ia para todos os eventos possíveis. Produzir é uma das coisas mais prazerosas (e importantes) do processo. Mas pra fazer parte desta brincadeira difícil que se tornou fazer arte no Brasil você precisa se informar.


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Por sinal, quer me ajudar? Se você já leu meus dois quadrinhos, que tal avaliá-los e ajudar outras pessoas a conhecê-los? É só entrar no Goodreads, Skoob ou Amazon (ou nos três) e escolher de 1 a 5 estrelinhas, de acordo com o quanto você gostou deles. Se já tiver escrito algo sobre eles por aí (às vezes para um site ou blog), copie o texto pra lá. Vou agradecer de coração.

Bem rapidinho
  • Anunciei na semana passada e foi um sucesso, aí entrei hoje na Amazon e vi que minha HQ Quem Matou João Ninguém? está novamente por APENAS 10 REAIS! Se ainda não tem, a chance é essa. Mas tem que ser rápido, por que o preço pode mudar sem aviso. Clique aqui para comprar o seu!
  • E seu interesse é Steampunk Ladies: Vingança a Vapor, também tem promoção. Comprando seu exemplar pelo site da Editora Draco você receberá gratuitamente um exemplar de O Peregrino, romance do Tibor Moricz que também mistura ficção científica com faroeste. Garanta seus livros comprando através deste link!
  • Como divulgado no início do texto, gravei um episódio do Bestiário Cast com o meu amigo Enéias Tavares, escritor do ótimo A lição de anatomia do temível Dr. Louison. Acho que o papo era pra ser uma entrevista comigo, mas virou um apanhado de percepções sobre o mercado de entretenimento no Brasil. Para quem se interessa sobre Economia Criativa, recomendo.
  • Saiu na semana passada um podcast Sem Fim (formato mais descompromissado do Iradex) com minha participação. Eu queria dizer qual é a pauta, mas a proposta é não ter pauta. Escute por sua conta e risco.

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30 de setembro de 2016

Sangue e sorvete (Lista do Zé #8)


Olá, olá!

Quando estava pensando no texto deste mês, passou pela minha cabeça que existe a possibilidade de que você não conheça Edgar Wright. O diretor inglês é mais conhecido por sua trinca de filmes-paródia, ou Trilogia Cornetto (ou ainda Trilogia do Sangue e Sorvete): Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso e Heróis de Ressaca (diga-se de passagem: alguém prenda o(s) cara(s) que traduziram os títulos para o Brasil).

No primeiro filme, Wright produz uma das mais célebres homenagens a George Romero, o mestre dos filmes de zumbi. No segundo (preciso rever, mas possivelmente é meu filme predileto do diretor), temos uma paródia dos filmes policiais das décadas de 80 e 90, muitos dos quais chegaram ao Brasil através da Sessão da Tarde. Já no terceiro, Wright encerra sua trilogia com uma paródia aos filmes-catástrofe. Os três filmes têm entre os protagonistas a dupla Simon Pegg e Nick Frost, mas não tem relação um com o outro, a não ser o de serem homenagens ao cinema hollywoodiano. Ainda assim são comédias inglesas e quem está habituado com o humor que vem do outro lado do oceano sabe que as piadas têm um gosto diferente, como se trocássemos o frenético café americano pelo “menos apressado” chá inglês. Penso que foi essa diferença de ritmo que afastou Wright do que poderia ser seu grande projeto de cinema de Hollywood: a adaptação para o cinema do personagem Homem-Formiga. Anunciado desde o início do projeto como diretor, meu queridinho inglês desistiu da produção alegando as famosas “diferenças criativas”. Uma pena, já que seria a ousadia máxima da Marvel colocar um cara como Wright à frente de um dos seus blockbusters. Mesmo assim, várias piadas do filmes têm a cara dele, já que, apesar das mudanças no projeto, boa parte do roteiro de Wright foi aproveitado. Fora da cadeira de diretor, Wright ainda escreveu o divertido As Aventuras de Tintin (cadê a continuação?) e produziu o cômico Ataque ao Prédio (que não é dele, mas que poderia estar dentro da sua trilogia tranquilamente).

Se acontecesse, Homem-Formiga não seria a primeira adaptação de um personagem de quadrinhos de Wright para o cinema: em 2010 ele dirigiu Scott Pilgrim contra o Mundo, baseada na elogiada obra do canadense Bryan Lee O’Malley. A injustiçada adaptação, na minha opinião, não foi bem tragada pelo público americano por sofrer do mal da maioria dos filmes do britânico: você tem que digerir um início mais complicado e mais sério (normalmente os primeiros trinta minutos) para que você consiga chegar ao suco da obra (ação desenfreada e mil gags por minuto, já próximo ao clímax).

A relação de Wright com os quadrinhos mostra um pouco do nerd que ele é. E antes mesmo das adaptações e filmes-paródia, Edgar Wright fez para a tevê Spaced, grande influência para séries que viriam bem depois, como The Big Bang Theory e Community (sdds). Exibida entre 1999 e 2001, Spaced conta com a dupla de atores-fetiche de Wright, Pegg-Frost, onde Pegg vive o personagem Tim, que tenta a sorte como desenhista de histórias em quadrinhos para uma grande editora, enquanto divide apartamento com Daisy (Jessica Stevenson, que atua e co-escreve os roteiros com Pegg), uma escritora desmotivada. Contando com um maravilhoso (e bizarro) elenco de coadjuvantes (em sua maioria amigos de Wright e Pegg), a série prestou todo tipo de homenagem possível à cultura pop em suas duas temporadas de sete episódios cada. Eu simplesmente adoro essa série. Na verdade qualquer coisa com o nome do diretor já me levanta as anteninhas (e eu sou esse tipo de cara que escolhe os filmes e avalia as expectativas sobre ele pelo seu diretor). Se você é um amante do bom cinema e anda rindo pouco das comédias atuais, fica a indicação.

Infelizmente as únicas obras de Edgar Wright presentes na Netflix são Heróis de Ressaca e As Aventuras de Tintin. Mas é bom ficar ligado por que os filmes dele costumam entrar e sair rapidamente do serviço de streaming.


E aí, já viu algo do Edgar Wright?

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  • Aqui no Ceará, a Fundação Demócrito Rocha está lançando em fascículos dentro do Jornal O Povo um Curso de História em Quadrinhos. Participei do segundo fascículo, sobre Roteiro e Narrativa. O time de autores dos fascículos é incrível, juntando alguns dos melhores quadrinistas cearenses da atualidade. Para quem está fora do estado ou perdeu os primeiros fascículos, todo o conteúdo está disponibilizado online aqui. No site ainda tem videoaulas (incluindo uma minha sobre o mesmo tema do fascículo) e a possibilidade de receber um certificado ao término do curso. Tudo gratuito! Outras ações do projeto vão acontecer e vou divulgando pelas minhas redes sociais.
  • Além disso, nada de novo no front. Estou escrevendo dois álbuns para 2017 e minha atenção está toda neles, o que me afastou um pouco de podcasts e textos de opinião (apesar de ter coisas já feitas ainda não lançadas).

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31 de agosto de 2016

E eu ganhei o HQMIX (Lista do Zé #7)


Olá, olá!

Estes últimos dias foram bem estranhos. Para nós, o que importa aqui, é que eu venci o Troféu HQMIX, o prêmio mais importante das histórias em quadrinhos no Brasil.

Hoje, ao invés de indicar alguma coisa, eu queria apenas agradecer a todos os profissionais que deram seu voto de confiança a mim. Julho e agosto deste ano foram meses malucos. Um turbilhão de coisas se juntou, entre aniversários de crianças, eventos da empresa da minha esposa e talvez a ação mais importante que já realizei dentro do Sebrae. No dia em que recebi a notícia que tinha ganhado o prêmio (um pouco antes de ser divulgada publicamente), lembro de ter acordado com uma ligação de um cliente transtornado (com razão, diga-se de passagem) com a montagem do evento que coordenei aqui na minha cidade. Eu estava ainda baratinado das ideias, tentando solucionar o problema, quando cinco minutos depois a janela das mensagens do Facebook me trouxe a notícia do HQMIX. E isso foi só um pedacinho dessa gangorra de emoções do bimestre.

O anúncio do prêmio veio junto com a divulgação da personagem que seria o troféu deste ano. The Supermãe, personagem do Ziraldo. É impossível eu não fazer uma associação com a minha mãe, talvez a pessoa que eu mais gostaria que estivesse na premiação, mas que deixou este mundo antes mesmo de ver minhas primeiras publicações ganharem o mundo. Quando eu era criança, minha mãe tinha o costume de comprar a lista de paradidáticos do ano da escola toda de uma vez, logo no mês de janeiro. Junto com ela, eu passava o restante das férias lendo os livros antes mesmo das aulas começarem. Se hoje eu tenho esse amor incondicional por ler e escrever histórias, eu devo tudo a ela. Agora, toda vez que eu vejo a imagem do troféu, esculpido pelo artista Olintho Tahara, eu vejo minha mãe. Acabou então que, sim, ela vai estar vendo de alguma forma tudo isso acontecendo.

Preciso reconhecer também as importantes contribuições da minha esposa, Lara, e filhas, Lana e Clarice, por toda a paciência; do meu pai e irmãos, sempre presentes; da Editora Draco, em especial o Erick e o Rapha, com a parceria de sempre (e que rendeu QUATRO troféus para a editora este ano); e dos meus colegas de projeto, Amorim, Wilton, Ellis e Deyvison, que tem um pedacinho deste prêmio na conta deles. Se o prêmio veio por conta da história, impossível esquecer a contribuição importante que deram as minhas leitoras-beta, Lívia, Rute, Natasha, Rafaela e Alessandra.

Fecha-se um ciclo para Steampunk Ladies: Vingança a Vapor, que no início do ano já havia conquistado também o Troféu Angelo Agostini. Todo o período antes e depois do lançamento deste quadrinho foi esquisito para mim (e eu já falei sobre isso aqui e aqui também). Eu sei bem dos problemas que ele tem, tendo em vista meus objetivos com ele, e gostaria de ter feito algumas coisas de um jeito diferente. Mas só quem faz quadrinho sabe todas as variáveis que rolam desde a ideia na cabeça do roteirista até o livro na estante da livraria. O que eu sei é que, apesar de tudo, a maioria dos retornos deste primeiro volume de Steampunk Ladies foi positiva. A obra conseguiu encontrar seu público de uma forma que eu não esperava. É impossível que eu não siga adiante com este projeto. Por isso, para vocês desta lista, eu adianto que o volume 2 já está a todo vapor (se vocês me permitem o trocadilho). Eu não tenho muito para mostrar ainda, então vou deixar vocês com uma única palavra: LONDRES. :)


A entrega do 28º Troféu HQMIX acontece no próximo sábado, no Sesc Pompeia, em São Paulo, a partir das 19h. Então eu convido aos amigos paulistas a aparecerem no que nós, quadrinistas, chamamos de a grande festa do quadrinho brasileiro.

"Zé, tá tendo Bienal do Livro em SP no mesmo período! Não vai aparecer por lá?", você pode estar se perguntando. Vim num ritmo tão doido nesses dias que demorei a perceber que a cerimônia do troféu aconteceria no mesmo período da Bienal. Infelizmente não me organizei para conseguir estar lá também. Mas a Editora Draco vai estar participando FORTE do evento e, lógico, tem Steampunk Ladies e Quem Matou João Ninguém? no estande da editora.

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Obrigado mesmo. E até sábado.