30 de março de 2020

O amor nos tempos da pandemia (Lista do Zé #29)



Olá, olá!

O negócio tá meio assustador, eu admito. Nesta segunda-feira (30/03), completei 15 dias em quarentena na minha casa. O coronavírus desafia nossa lógica social. Ao mesmo tempo, esse tempo enfurnado com minha esposa e filhas me fez valorizar algumas pequenas coisas da correria diária, talvez por que é uma característica minha ver o lado bom desse tipo de situação. Ainda não sei como serão as próximas semanas, mas no geral temos conseguido passar muito bem por esse momento aqui em casa, com as crianças aproveitando como nunca essa aproximação familiar. Há coisas negativas? Ô, se há. Não dá pra ignorar os fatores econômicos, que a gente aqui em casa também vai sentir. Mas, ainda assim, tenho a convicção de que ficar em casa é a melhor opção no momento. Vamos ter que pensar nas consequências financeiras no momento seguinte, infelizmente. Pra você que lê esse texto, caso tenha condições, avalie apoiar iniciativas na sua comunidade para diminuir os impactos daquelas pessoas que não tem os privilégios que nós temos. E proteja seus pais e avós. Isso tá próximo de acabar, eu sinto isso. Infelizmente, não são muitas as coisas que eu posso fazer para conter o avanço da doença. Sendo assim, vou contribuir da forma que sei: com conteúdo. Pretendo aumentar os textos da minha lista de e-mails nas próximas semanas, pra começar.



Além disso, pra esse período de isolamento social, junto com uma galera dos quadrinhos brasileiros, criei uma iniciativa que disponibiliza quase duas centenas (e subindo) de obras nacionais para leitura gratuita no site bit.ly/hqsnaquarentena. Aproveitem, por que este material estará disponível para download somente enquanto durar o período de isolamento social. E, se curtirem os trabalhos, sigam os autores nas redes sociais e considerem comprar material deles, afinal vai ser um ano muito difícil pra gente, com poucos eventos e muitas livrarias e comic shops fechadas.

Pra essa iniciativa, disponibilizei meu quadrinho Interlúdio. Lançamos esse quadrinho online em 2008, como parte do segundo EP da minha banda Sobre o Fim (tem uma parte da história dessa publicação aqui). É uma HQ curtinha, sobre teoria do caos, desenhada pelos amigos Silvio Romero, Camila Nágila, André Pinheiro e Demétrio Braga, e que inclusive foi indicada ao Troféu HQMIX na época.

Além disso, como uma pequena contribuição na vida das pessoas nesse momento, estou articulando algumas lives com amigos no Instagram, que devem começar a acontecer já nesta semana. Vão ser vários assuntos, mas principalmente dicas sobre produção de quadrinhos e indicações de quadrinhos, música, livros e filmes. Sigam o meu perfil (@zewellington) e fiquem atentos às divulgações que vão sair por lá.

https://www.zewellington.com/p/combos.html


Outra novidade é a volta às prateleiras da minha primeira graphic novel, Quem Matou João Ninguém?, que pode ser adquiridas no site da Editora Draco, na Amazon ou diretamente comigo.

Por falar em pegar comigo, montei alguns combos com meus quadrinhos e promocionalmente estarei vendendo com frete grátis para todo o Brasil. Meu compromisso com meus leitores sempre foi de divulgar os lugares mais em conta onde comprar minhas HQs, não seria diferente neste momento econômico mais complicado, então eu tenho que dizer que sai bem mais barato comprá-las pela Amazon (com pouco mais de R$ 70,00 você consegue comprar juntas Quem Matou João Ninguém?, Cangaço Overdrive e Steampunk Ladies: Choque do Futuro). Mesmo assim, listei três motivos para comprar diretamente comigo:

1⃣ em todos os combos comprados comigo vão brindes (adesivo ou pôster A3 ou ambos nos combos a partir de três livros). E, se o comprador quiser, tem também dedicatória com seu nome nos livros.
2⃣ Steampunk Ladies: Vingança a Vapor, o primeiro volume da série, está esgotado na maior parte das livrarias, incluindo a Amazon. Tenho comigo alguns exemplares resgatados de comic shop (e que estão esgotando rapidamente).
3⃣ por que você ajuda a desaguar meu estoque de quadrinhos, que eu esperava baixar nos eventos cancelados neste semestre.

O link para a compra dos combos é facinho: bit.ly/zwcombos

E a vida segue. Se quiser precisar de alguém para conversar, responde este e-mail que ele chega direto na minha caixa de entrada.

Fique em casa e cuide da sua família.

13 de fevereiro de 2020

Roteirista de quadrinhos no Brasil? (Lista do Zé #28)



Olá, olá!

Ano passado completei 15 anos nesta vida de histórias em quadrinhos, mais especificamente como roteirista. Nos últimos tempos tenho recebido diversas dúvidas de outros colegas iniciando nesta atividade e pensei que poderia ser legal escrever sobre esses anseios. É bom destacar que, mesmo debutante na atividade, ainda estou aprendendo sobre ela e sobre o mercado, então as 7 perguntas que eu respondi abaixo são mais relacionadas à minha visão como roteirista.

Mas antes... Preciso dizer que meus dois últimos quadrinhos estão com um descontaço na Amazon (juntos saem por menos de 50 mangos):
Aproveitem, por que os preços podem voltar ao normal a qualquer momento!

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Tem que ser meio DOIDO para encarar uma carreira de roteirista de quadrinhos no Brasil (ou amar quadrinhos e não ter disposição para aprender a desenhar). Tem, sim, um montão de gente no país fazendo roteiro para HQ (e muito bem), mas as funções ligadas a desenho são bem mais populares. Saber desenhar realmente é uma mão na roda para contar histórias em forma de quadrinhos, ao mesmo tempo que não dispor dessa habilidade vai dificultar um pouquinho (mas não tornar impossível) a vida do pretenso quadrinista.

Escrevi meus primeiros textos ainda na adolescência. Os quadrinhos entraram na minha vida bem depois da literatura (que ainda é presente na minha vida, mas com muito menos intensidade). Minhas primeiras tentativas de fazer quadrinho vieram durante a explosão dos animes no Brasil, lá quando Os Cavaleiros do Zodíaco chegaram por aqui. Foi quando descobri também que é necessária muita dedicação para ser um bom desenhista. Mas, já na adolescência, eu era um multifazedor-de-coisas e vi que não dava para aprender a desenhar, aprender a tocar violão, organizar eventos, passar no vestibular etc. ao mesmo tempo. Durante um curso de cinema me dei conta que os roteiros poderiam ser um melhor caminho para mim. E assim vem sendo.

Separei abaixo algumas das principais perguntas que recebo sobre esta função. Elas podem ser um guia para as pessoas que pretendem se jogar nesta maluquice.

1. Um roteirista é aquele cara que faz as letrinhas das histórias?
Por mais boba que essa pergunta possa parecer, eu me sinto na obrigação de começar por ela. Quem faz as letrinhas nos quadrinhos é um profissional importantíssimo chamado letrista (nos meus últimos quadrinhos, tive o privilégio de contar com o incrível Deyvison Manes na função). Para letreirizar a HQ, o letrista utiliza o roteiro, essa, sim, a peça fundamental do trabalho do roteirista. O roteiro é um documento que guia a criação das histórias em quadrinhos. Não existe um formato pré-definido para ele, pesquisando pela internet você vai encontrar modelos diferentes. Embora a maioria dos roteiristas escreva um texto descrevendo o que quer que seja desenhado, há colegas que desenham seus roteiros, como se fosse um esboço da história em quadrinhos (é assim que são feitos os roteiros da Turma da Mônica). Coloquei um trechinho do roteiro de Cangaço Overdrive neste link, para quem tiver curiosidade em ver como são os meus. Ah, embora não seja função do roteirista letreirizar sua HQ, é bem interessante ele ter noções sobre esta função (dica para a vida).

2. Como consigo pessoas para desenhar meus roteiros?
Essa é a pergunta que mais recebo no inbox do meu Instagram. Para um roteirista iniciante, é um desafio absurdo convencer um bom desenhista a desenvolver seus primeiros roteiros. As sugestões que eu daria seriam as seguintes: A) comece com roteiros de histórias curtas (entre 4 e 12 páginas) e B) tente juntar outras pessoas que querem fazer quadrinhos e proponha trabalhos coletivos. Sobre a letra A, leve em consideração que desenhar quadrinhos é uma coisa demorada e que pode levar tempo. Histórias curtas aumentam as chances de um desenhista se interessar e de aquele seu roteiro realmente ser desenhado até o final. Sobre a B, vou contar um segredinho para vocês.... Quando me dei conta que queria ser roteirista, me vi sob essa problemática. Minha primeira ação foi criar um grupo de estudo na minha cidade, o que atraiu vários quadrinistas (a maioria desenhistas). Criamos um fanzine chamado Gattai Zine, onde publicávamos trabalhos curtinhos, misturando as pessoas do grupo. Bum! Dois coelhos com uma cajadada só. Se mesmo assim tiver dificuldades, talvez seja melhor se matricular em aulas de desenho... ou botar a cabeça para funcionar e pensar em alternativas, como fez o Marcelo Saravá no incrível 1000 Palavras, coletânea de tirinhas apenas com textos (conheça aqui). Ah, mesmo já tendo algum reconhecimento, até hoje ainda é um desafio para mim encontrar parceiros. Tanto que nos meus últimos quadrinhos eu busquei apoio de editais para conseguir pagar todos os envolvidos (falei sobre isso neste texto).

3. Você vive disso?
Hoje sim, mas não apenas disso. Tenho outras duas profissões (sou professor universitário e consultor na área de marketing). Vale dizer que nos primeiros 10 anos como roteirista/quadrinista EU MAIS GASTEI DO QUE GANHEI ALGUMA COISA. Lembro que 50% da cota dos meus exemplares de Quem Matou João Ninguém? (que lancei em 2014) enviei para a imprensa e influenciadores do meio. Felizmente, naquela época eu podia fazer isso (hoje já não tenho como). Como qualquer profissão ligada à arte, é preciso tempo e muito trabalho para estabelecer uma carreira. E, vale dizer, dentro das minhas receitas como roteirista, talvez uns 30% sejam com venda de quadrinhos. Os outros 70% vêm de participações em eventos, palestras, cursos e serviços relacionados. Conversando com outras pessoas no meio, percebi que isso é meio que bem comum.

4. Roteirista de HQ no interior do Ceará... Como é isso?
Difícil pra caralho. Nem queira saber. E olha que tenho um monte de privilégios como o homem branco que sou (nem consigo imaginar como é para quem não tem). Eu entendo (mas fico triste com) o monte de gente que desiste no meio do caminho ou acaba debandando para outras áreas, como cinema e literatura.

5. Indica livros?
Infelizmente tem pouca coisa impressa especificamente sobre roteiro para quadrinhos. Tem um material que a Opera Graphica lançou no Brasil (e que é difícil de encontrar hoje) chamado Guia Oficial DC Comics – Roteiros, escrito pelo grande Dennis O’Neil, que é um dos mais completos que já li. O primeiro material que tive acesso foi um e-book do Gian Danton, que é bem simples, mas me ajudou bastante (não é à toa que convidei o Gian para o prefácio de Quem Matou João Ninguém?). Tem alguma coisa sobre roteiro nos ótimos livros do Scott Mccloud, sendo o Desenhando Quadrinhos o meu favorito: o nome em português pode enganar (no original é Making Comics), mas ele trata de todas as etapas do processo. Tenho lido materiais de outras linguagens, que também ajudam bastante. Um dos livros que mais estudo e consulto é o Story, do Robert McKee (que é voltado para o roteiro de cinema). Tenho aqui, lá no fundo do meu coração, alimentado a ideia de escrever um pequeno manual... Quem sabe?

6. Pode ler meu roteiro e dar uma opinião?
Taí uma coisa que me perguntam muito... Fico lisonjeado quando alguém me pede uma opinião sobre algo que escreveu. Mas fazer isso é uma questão muito complexa. Primeiro, ler um texto ainda não publicado gera um certo comprometimento com aquela ideia original. Se futuramente alguma história minha apresentar algum elemento similar ao conceito que o colega me enviou, ele pode entender que eu o estou plagiando. Segundo, alguém pode ficar surpreso com isso, mas LER ROTEIROS LEVA TEMPO. Tem gente que fica até chateado quando eu digo isso, mas é importante frisar que há quem preste este tipo de serviço, conhecido como revisão crítica, e dá um trabalho danado. E, mesmo que não desse, nesta minha vida de pai do Chris, com três empregos, é muito complicado conseguir arrumar tempo para algo assim. Nem mesmo quando me pedem como serviço pago eu costumo atender. Só faço isso em situações muito especiais. Então, quando fizer este pedido para algum roteirista ou escritor, entenda se ele lhe der um respeitoso "não". Se precisar deste tipo de serviço, recomendo essa relação de prestadores levantada pelo Rodrigo Van Kampen.

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30 de janeiro de 2020

Criando quadrinhos no Brasil (Lista do Zé #27)

https://open.spotify.com/episode/2FissmQ0He4qjx2zLLKFNm?si=uLEiGS2JS3i4YUwYZVONEw


Primeiramente: Feliz Dia do Quadrinho Nacional! Nós, que fazemos quadrinhos no Brasil, comemoramos esta data todo dia 30 de janeiro, em alusão à data da publicação do que se considera a primeira história em quadrinhos do Brasil, As aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, de Angelo Agostini. Isso aconteceu em 1869.

Escolhi o dia de hoje para publicar um podcast onde converso com boa parte da equipe envolvida em Steampunk Ladies: Choque do Futuro. Falamos sobre como eles atuam no mercado, se vivem de fazer quadrinhos e ainda se quadrinhos e política são uma boa mistura. O programa é um prato cheio pros curiosos e, principalmente, pra quem quer entrar no mercado de quadrinhos. Dá pra escutar nos links abaixo:

Tá liberado compartilhar nas redes sociais e prestigiar essa galera que tá na labuta diária!

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O primeiro evento de lançamento de Steampunk Ladies: Choque do Futuro acontecerá no próximo sábado (01/02), em Fortaleza, durante a Feira Livre de Quadrinhos, que nesta edição acontecerá no Centro Universitário Farias Brito (R. Castro Monte, 1364 - bairro Varjota). O evento começa ao meio dia e o painel de lançamento será às 14h. Terei o prazer de dividir o momento com a querida Brendda Maria e o incrível Paulo Moreira. Meu amigo Rildon Oliver fará a moderação. Conto com a presença dos amigos de Fortaleza!


Querendo compras meus quadrinhos? Vai no site da Editora Draco ou peça o seu na Amazon (e se já tem, não esqueça de avaliar):
Informações em tempo real lá no meu Instagram: instagram.com/zewellington
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Leia mais quadrinhos nacionais!

18 de novembro de 2019

Subversão londrina (Lista do Zé #26)



Está valendo! Já está à venda o meu novo quadrinho, Steampunk Ladies: Choque do futuro, nos links abaixo:
Agora é hora de falar um pouco mais sobre o quadrinho!

Subversão londrina

 Sue e Rabiosa unem-se às sufragistas na Inglaterra do século XIX para impedir que tecnologias avançadas sejam usadas contra o resto do mundo. É uma nova aventura das personagens que surgiram em Steampunk Ladies: Vingança a vapor (2015), o livro que me deu o Troféu HQMIX na categoria "Novo Talento Roteirista". Este volume tem desenhos de Sara Prado, Wilton Santos e Leonardo Pinheiro, cores de Ellis Carlos, Ale Starling e Thyago Brandão (com contribuição da Mariane Gusmão) e letras de Deyvison Manes. Tivemos a honra de contar ainda com prefácio da Lívia Stevaux (MinasNerds) e posfácio da Dana Guedes (escritora e entusiasta steampunk). A edição ficou a cargo novamente do sensacional time da Editora Draco. Este projeto é apoiado pela Secretaria Estadual da Cultura do Governo do Estado do Ceará - Lei nº 13.811, de 20 de agosto de 2006.

Originalmente, Steampunk Ladies: Choque do futuro deveria ter sido lançado no ano passado, mas tive que engatar uma marcha mais lenta na reta final dele para conseguir finalizar e lançar adequadamente Cangaço Overdrive. É uma continuação de Steampunk Ladies: Vingança a vapor. Tenho sentimentos bem variados este primeiro volume e cheguei a pensar em não continuar essa história, que comecei lá em 2015 (um pouco antes na verdade). Os detalhes vão ficar guardados nos cofres da memória, o que importa é que se trata de um quadrinho protagonizado por mulheres e bem próximo do lançamento de "Vingança a vapor" eu comecei a duvidar que tínhamos feito um trabalho que respeitasse esse conceito principal. Nem cheguei a fazer um lançamento propriamente dito do livro. Enfim, como eu acredito que só quem pode responder se fizemos ou não um trabalho adequado são as mulheres que leram o quadrinho, penso que na balança o saldo foi positivo, já que a maioria das respostas foi muito boa. O fato é que eu sentia que num segundo volume muitas coisas deveriam mudar.

Há uma mudança brusca no tom deste novo quadrinho em comparação ao anterior. Parte disso está relacionado com o deslocamento do cenário do Velho Oeste Americano para a Inglaterra Vitoriana, mas as coisas vão bem além disso. "Choque do futuro", de alguma forma, reflete as modificações pelas quais o país e este escritor que vos fala passaram nos últimos quatro anos. O principal antagonista da história luta principalmente contra uma mudança no status quo, o que permitiria que o time de protagonistas (agora mais do que duas!) participasse no mundo moderno que se forma no universo de Steampunk Ladies. Não sei se vocês vão curtir esta aventura, mas pelo menos sei que o coração dela está apontado na direção certa.

Pode ser uma experiência mais legal ler os volumes em sequência, mas adianto que não é necessário ler o primeiro volume para entender o segundo. Pode até ser interessante inverter a ordem das histórias, começando com este segundo e entendendo o primeiro volume como um prequel (se Star Wars pode ter várias formas de ver sua cronologia, eu também posso). De qualquer forma, quem quiser adquirir esta nova edição já pode clicar aqui e comprar no site da Editora Draco. Para quem estará na CCXP - Comic Con Experience, que acontece de 5 a 8 de dezembro em São Paulo, pode pegar diretamente comigo na MESA F08 da Artists' Alley.


 


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Por falar em CCXP, no evento estarei dividindo mesa com o ilustrador Jon Bosco (conheçam o incrível trabalho dele!). Além de Steampunk Ladies: Choque do futuro (que será lançada no evento), ainda vou estar com Cangaço Overdrive e mais um monte de coisinhas (prints com as capas dos meus quadrinhos, coletâneas que participei, cordéis etc.). Pra quem é de fora do Ceará, é uma oportunidade única de bater um papo comigo e conseguir uma dedicatória em um dos meus trabalhos.


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E se ano passado eu cheguei em SP direto para a CCXP, dessa vez eu consegui me organizar para estar por lá um pouco mais cedo. Um dos grandes motivos é o Draco Spirit Fest, aniversário de 10 anos da Editora Draco, minha casa editorial desde 2013. Vai ser uma celebração ao #dracospirit, com direito a show do meu conterrâneo Jonnata Doll, um dos grandes nomes da música indie brasileira atual. Vai ser no dia 30 de novembro (sábado), a partir das 17h, no Sebo Clepsidra (Loja 2).


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Outra novidade é que volto mais uma vez para uma oficina de férias no Estúdio Daniel Brandão (em Fortaleza). Dessa vez, o tema será "Narrativa da Escrita" e o objetivo é discutir temas referentes à criação de histórias nas mais diversas mídias (focando um pouquinho nas histórias em quadrinhos). A oficina é parte do programa "As Artes Narrativas", que ainda terá as oficinas "Narrativa do Desenho" (com Daniel Brandão) e "Narrativa das Cores" (com Juliana Rabelo). A minha oficina é logo na segunda semana de 2020 (6 a 10 de janeiro, para ser mais exato), o que é massa para quem vai colocar nas resoluções de ano novo escrever um livro ou produzir uma HQ. Você pode fazer uma oficina só ou fazer todas e aproveitar um desconto na inscrição. Inscrições e mais informações pelo e-mail estudiodanielbrandao@gmail.com ou pelo telefone (85) 3264.0051. As aulas serão presenciais na sede do estúdio, na Torre Empresarial Del Passeo (Av. Santos Dumont).



Por hoje é só. Quer receber os meus textos no conforto do seu e-mail? Cadastre-se aqui: http://bit.ly/listadoze

8 de outubro de 2019

Fomos indicados ao Prêmio Jabuti! (Lista do Zé #25)


Olá, olá!

Cangaço Overdrive é um dos 10 finalistas na categoria História em Quadrinhos do Prêmio Jabuti, a maior premiação literária do Brasil. Só assim para eu tirar as teias de aranha dessa lista de e-mail. Juro que tentei várias vezes, em vão, sentar e pensar no meu texto #25, que a princípio seria lançado no dia 22 de agosto, em comemoração ao Dia do Folclore, com indicações de obras nacionais que exploravam temas brasileiros. Mas isso vai ficar pra próxima, por que eu fui indicado ao Prêmio Jabuti, porra! Tô bem feliz.

E é meio maluco, por que muitas coisas rolaram nesses últimos meses no cenário fantasista nacional e, sei lá, talvez tudo esteja ligado. Em agosto, estive em dois eventos literários: na Flipelô (em Salvador) e na Bienal do Livro do Ceará (que rolou em Fortaleza). Na Bahia, estive numa mesa com o quadrinista baiano Hugo Canuto (criador do quadrinho Contos dos Orixás) e em Fortaleza estive com o escritor potiguar Marcio Benjamin (especialista em terror com elementos nordestinos, autor do recém lançado Agouro) e ainda com o podcaster Rildon Oliver (Cosmonerd) e o professor/escritor/rpgista Dmitri Gadelha. Os temas foram bem parecidos: o impacto de se utilizar elementos brasileiros na escrita de ficção. No caso das mesas com o Hugo e o Marcio, formos ainda mais específicos: focamos nos elementos nordestinos.

Já tinha bastante coisa para começar a divagar a respeito, mas algumas bombas estavam para explodir. A primeira numa polêmica envolvendo uma série de ilustrações do artista gaúcho Vitor Wiedergrun, que tentava reimaginar elementos do cangaço num cenário futurista. Num texto da escritora Lídia Zuin, o nome da série de ilustrações do Vitor, Cyberagreste, vira nome de um movimento estético/literário. Foi o suficiente para uma sequência de textos (e textões) de nordestinos questionando pontos desta reportagem, que não tinha os principais interessados na história envolvidos: os nordestinos. Embora eu não tenhamos participado desse texto, Cangaço Overdrive é citado por lá, como tem estado na maior parte dessas discussões. Dessa história surge o Sertãopunk, um contraponto e quase um manifesto sobre o cyberpunk com o nordeste como cenário. Essa visão seria ardorosamente defendida por vários escritores nordestinos, com destaque para a cearense G.G. Diniz e os baianos Alan de Sá e Alec Silva. Veja só, eu entendo todo o sentimento do Vitor e da Lídia em suas produções e toda a boa vontade que está lá. Mas os questionamentos da Gabriele, do Alan e do Alec são muito válidos. Escrevi um texto para o blog da Draco falando mais sobre o sertãopunk.

E espera aí, que tem mais um ingrediente para acrescentar no caldeirão: num texto para a Folha de S. Paulo, o escritor Santiago Nazarian joga um balde de água fria nos escritores de literatura especulativa brasileiros. Nazarian escreve que esse tipo de literatura vive sempre um sentimento de que está prestes a decolar no mercado, mas que nunca chega a lugar nenhum de fato. E, claro, existiram os contrapontos, com destaque para a excelente thread no Twitter do Bruno Mantagrano e o texto escrito também para a Folha pelo escritor Samir Machado de Machado.

Ficam os links, por que ler sobre estes pontos pode ser um negócio muito enriquecedor, ainda mais se você está se propondo a ser um escritor no Brasil. Tem gente bem mais inteligente do que eu falando aí e se tem algo que eu aprendi é que ler pessoas inteligentes é um jeito de ficar um pouco mais inteligente também.

O fato é que a indicação do Jabuti chega num momento bem interessante, bem no meio dessa efervescência, onde a nossa ficção especulativa vai ganhando seu espaço entre os leitores brasileiros. Sou um cara bem novo nesse cenário e seria muito arrogante da minha parte ignorar todo o trabalho das gerações anteriores, que vem lá desde 1899, com o romance A rainha do Ignoto, da cearense Emília de Freitas. Mas eu consigo enxergar algumas bolhas sendo furadas.

Com o alto nível dos concorrentes, é difícil dizer se sigo nas próximas etapas do Prêmio Jabuti, mas fico feliz de ter conseguido chegar até aqui com um quadrinho distópico, que nada mais é do que o resultado do nosso incômodo com o cenário de retrocesso atual e um questionamento sobre os avanços destrutivos do capital. E, principalmente, uma ode à jornada do nordestino. Perdi o 22 de agosto, mas ganhei o privilégio de publicar esse texto hoje, no dia em que comemoramos os 110 anos da data de nascimento de um dos maiores poetas populares da história desse país, Patativa do Assaré. Poeta, subversivo e uma das grandes influências na criação de Cangaço Overdrive, Patativa vive em suas ideias e ideais.

Eu gostaria de agradecer a toda a equipe envolvida em Cangaço Overdrive por possibilitarem que chegássemos até aqui. Não poderia esquecer do apoio imprescindível da Editora Draco e de todos os amigos e familiares que vem ajudando a disseminar o quadrinho.

Sigamos lutando.


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DICA:

Se você ainda não tem a obra, aproveita que ela está com 30% de desconto no site da Editora Draco. Por tempo limitado!

21 de junho de 2019

O evangelho de Evangelion (Lista do Zé #24)


Olá, olá!

Um dos animes mais amados de todos os tempos está disponível novamente! Nesse texto eu falo sobre Evangelion, animação japonesa que eu fiz um esforço absurdo para acompanhar no final dos anos 90 (via fitas VHS mal gravadas) e agora você pode assistir no conforto da sua Netflix. A criação máxima do estúdio Gaynax e do diretor Hideaki Anno agora pode ser apreciada por uma nova geração de amantes das boas (e um pouco complexas) histórias.

Mas primeiro...

Preciso avisar que Cangaço Overdrive está de volta às prateleiras, depois de ter esgotado no site oficial da Editora Draco e em alguns dos principais fornecedores online. A segunda tiragem do quadrinho já está disponível na loja online da Draco ou na Amazon. Enjoy!

Além disso meu parceiro Walter Geovani está vendendo edições diretamente, incluindo um sketch original de brinde. Para adquirir, deixem mensagem lá no Instagram dele: instagram.com/walter_geovani_wg

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Clássico moderno

A Netflix acaba de disponibilizar em seu catálogo Neon Genesis Evangelion, um dos maiores clássicos da animação japonesa dos anos 1990. Pergunte a qualquer pessoa que tenha acompanhado a série na época do lançamento o que ela lembra a respeito e, além da marcante música de abertura, provavelmente você ouvirá duas coisas: 1) os robôs gigantes e 2) a trama complexa. É reduzir demais colocar Evangelion apenas nestes dois pontos, mas são bons lugares para começarmos esse texto.

Então, sim, tem uns robozões. Robôs gigantes (os mechas) estão incrustados na cultura pop japonesa, desde os live actions do tipo metal hero e tokusatsu (Jaspion e Changeman, respectivamente) até animações como Gundan e Macross. Para justificar os robôs, a trama do anime se passa em 2015 (que seriam 20 anos no futuro na época do lançamento), num Japão distópico onde adolescentes são os únicos pilotos possíveis para máquinas de guerra gigantes, os EVAs. Logo no primeiro episódio entendemos quem essas máquinas gigantes têm de enfrentar: criaturas poderosas conhecidas como Anjos (e só isso já é de dar um nó na cabeça). Em meio aos confrontos, acompanhamos Shinji Ikari, um destes pilotos adolescentes, nos seus primeiros momentos como piloto do Eva-01. Abandonado na infância, Shinji volta à cidade natal para um momento de reconciliação, mas acaba frustrado quando descobre que seu pai é o líder dessa resistência contra os anjos e queria apenas que ele pilotasse o Eva-01. Esse conflito entre pai e filho (e o passado por trás dele) é apenas um dos temperos do caldeirão do anime, que tem nas batalhas um pequeno percentual do seu tempo de tela. O que não faltam por aí são textos falando que o próprio uso dos mechas no desenho denota uma crítica dos criadores à falência da sociedade japonesa, utilizando elementos dos mangás e animes, patrimônios nacionais do país. Isso sem falar em várias questões existencialistas levantadas pelos personagens, todos nitidamente lutando contra traumas psicológicos próprios.

É aí que entramos no segundo ponto de destaque de Evangelion. Sem dúvidas temos aqui um dos roteiros mais inventivos e também mais complicados já criados em uma animação seriada, uma ficção científica existencialista com elementos da Cabala, do Cristianismo, do Judaísmo e do Xintoísmo. É a típica história que começa no meio e você se vê dentro de um furacão junto com o protagonista, que cresceu isolado de tudo e representa nossas dúvidas dentro da trama. Uma coisa que é necessária dizer pra você que vai encarar o anime pela primeira vez é que a maior parte dos mistérios da trama não será explicada. O anime é aberto a muitas interpretações e isso funciona muito bem na maior parte da trama. Mas é importante dizer que nem sempre esse mistério todo, beirando a psicodelia em alguns momentos, é proposital e bem conduzido. Evangelion teve uma série de problemas de produção, especialmente em seus últimos episódios, o que levou a um final forçado na série, com sérias restrições orçamentárias. Não é preciso ser expert para perceber isso, ainda mais quando em vários episódios você passa longos minutos numa tela estática e apenas ouvindo os personagens falando. A maior parte da ação (e ação BOA, diga-se de passagem) está na primeira metade da série. É óbvio que há um sem fim de ideias boas também para contornar os problemas de produção, como o fato de que os anjos vão tendo suas formas exploradas de forma absurda no decorrer da série, até serem muito mais do que monstro gigantes.

Para compensar os probleminhas desse final, a série original já foi reeditada mais de uma vez e ainda ganhou um longa-metragem resumo (Evangelion: Death (True)²) e outro que finaliza o confronto com os anjos (The End of Evangelion), também disponíveis na Netflix.

E se você está em dúvidas sobre ver ou não, eu digo que vale a pena! A última vez que vi foi no ano passado e continua muito bom. Se tramas cabeçudas são sua praia, você não irá se decepcionar. Boa parte do gostoso de acompanhar algo assim é gastar horas lendo sobre teorias na internet depois... Definitivamente Evangelion é um desses raros casos em que vale a pena se perder nos vídeos de “final explicado”.

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Já viu Evangelion? É sempre bom lembrar: responda este e-mail com seu comentário e ele chega na minha caixa de entrada. Você pode também deixar um comentário aqui ou ainda no meu Twitter, Facebook ou Instagram.

Quer me ajudar um montão na minha carreira de escritor e roteirista? Avalie os meus livros e me siga no Goodreads e no Skoob. Lá você encontra minhas últimas leituras com alguns comentários.

Já leu Quem Matou João Ninguém?, Steampunk Ladies ou Cangaço Overdrive? Se não, compre na Amazon nos links abaixo. Já leu? Ajude a espalhar a palavra do Zé e deixe sua avaliação lá no site deles!
Quer receber meus textos no seu e-mail? Inscreva-se neste link: http://bit.ly/listadoze

Levanta a cabeça, Shinji!

25 de maio de 2019

Cordel de Cangaço Overdrive + indicações brasileiras steampunk (Lista do Zé #23)


Olá, olá!

Antes de te indicar alguns produtos brasileiros steampunk, preciso te dizer que já está à venda Steampunk Ladies: Choque do futuro, minha nova história em quadrinhos! Clique na imagem para garantir a sua agora!

https://editoradraco.com/produto/steampunk-ladies-choque-de-futuro-wellington-prado-santos-pinheiro


 
Em comemoração, preparei um pequeno guia com a indicação de algumas outras obras recentes nacionais na temática steampunk, pra você ir entrando no clima enquanto meu novo quadrinho não chega na sua casa.

Além disso, falo sobre minha primeira publicação em literatura de cordel: Cangaço Overdrive: Passado e futuro. Este cordelzinho foi distribuído para quem comprou minha HQ Cangaço Overdrive na CCXP 2018 e agora é a sua vez de ter acesso em formato PDF. Vale dizer que não tem spoilers do quadrinho original, então pode ler antes dos quadrinhos, tá? E para quem já leu a HQ, é hora de conhecer um pouquinho mais sobre a origem dos personagens dos grupos de Cotiara e Rosa.

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Uma das coisas mais elogiadas em Cangaço Overdrive é a narração em cordel. Foi uma das primeiras ideias que tive antes de iniciar o roteiro do quadrinho. Não sou poeta, mas rimar uma história não era pra ser tão complicado, afinal eu tive banda por mais de dez anos e já compus algumas músicas, certo?

Na prática o negócio foi mais complexo (imagina aí acertar texto e imagem, tendo que se preocupar com a rima e também com a métrica própria do cordel?). De qualquer forma, depois dessa experiência maluca eu fiquei doido pra fazer mais. Então para a CCXP do ano passado eu pensei que um brinde legal seria um pequeno cordel, que foi impresso e depois cortado e montado manualmente. O cordel explora a origem de alguns dos personagens da HQ. Agora é sua vez de tê-lo, clicando no link abaixo:

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Steampunk brasileiro

Lá pela década de 80 a ficção científica vivia um dos seus momentos de ouro, especialmente na literatura. Nesse contexto foi criado o tal cyberpunk (já falei um pouco sobre isso), título de um conto do escritor Bruce Bethke e que acabou definindo um novo gênero. A frase que resume o estilo é o "high tech, low life", referindo-se a um futuro extremamente tecnológico, mas de péssimas condições de vida. Já no final da década de 80, o escritor K. W. Jeter, procurando uma expressão para designar trabalhos que se passavam no passado e que remetiam aos conceitos do cyberpunk, cunhou o steampunk. Ao invés do futuro, os cenários/períodos históricos favoritos do gênero eram a Era Vitoriana Inglesa e o Velho Oeste Americano pós-segunda revolução industrial, por isso o "steam" do nome, uma alusão à tecnologia a vapor vigente na época. A principal brincadeira era imaginar estes períodos com tecnologia mais avançada. Vale dizer que depois surgiram outras vertentes, com combustíveis diferentes alimentando as cabeças dos autores: teslapunk (em alusão às primeiras máquinas elétricas), dieselpunk (diesel das máquinas nas guerras mundiais), atompunk (energia atômica) e até solarpunk (que leva a discussão de volta para o futuro, com energias limpas). Mas esses outros ficam para um próximo texto...

E no Brasil? Muita coisa stempunk tem sido lançada no Brasil nestes mais de trinta anos. Fazer uma lista é um negócio espinhoso e para essa me concentrei em trabalhos mais recentes. Lá no meu blog eu pretendo aumentar esta lista nos próximos meses (e tô guardando na agulha um texto sobre ficção científica nacional em que quero explorar os títulos mais clássicos, em breve neste mesmo canal).


Vaporpunk

O Steampunk feito no Brasil se enraizou no fandon primeiramente através de livros de contos, especialmente antologias de editoras de gênero. Embora não possa deixar de reconhecer os trabalhos de editoras como a Tarja (in memorian) e a Estronho, foi a Draco que pavimentou essa estrada, especialmente com os dois volumes de Vaporpunk. Embora livros de contos de autores diferentes costumem apresentam trabalhos melhores e piores, considero o nível dos dois livros bem alto, possivelmente por que temos alguns dos escritores mais prolíficos do gênero no país: Octavio Aragão, Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi, Fábio Fernandes, Romeu Martins, Dana Guedes, Nikelen Witter, Luiz Bras, Sid Castro, Jacques Barcia, Cirilo S. Lemos e Gerson Lodi-Ribeiro. Vale dizer que o primeiro volume também tem participação de autores portugueses. Esses livros foram só o pontapé para uma coleção chamada Mundo Punk, que também incluiu as coletâneas Dieselpunk e Solarpunk (que foi uma das primeiras iniciativas no gênero do mundo e já foi traduzida para o inglês). Nada como encerrar o ciclo com um livro sobre Cyberpunk, que iniciou todo o gênero, né? Na campanha que está rolando do livro, tem uma recompensa para levar TODOS os livros do Mundo Punk (mais a coletânea em quadrinhos Periferia Cyberpunk) por apenas R$ 200,00. Apoie a coletânea até o dia 29/05 e leve a coleção completa por esse precinho camarada!

Le Chevalier

Um espião francês sem passado é o indicado por Napoleão em casos em que o Império Francês precisa resolver com discrição. Iniciado num romance do escritor A.Z. Cordenonsi, Le Chevalier e a Exposição Universal, as aventuras do personagem seriam expandidas também para uma série de contos e duas histórias em quadrinhos, Le Chevalier: Arquivos Secretos Vol. 1 e Le Chevalier nas Montanhas da Loucura (com roteiros do escritor e desenhos de Fred Rubin, que eu considero o "Mignola brasileiro"). As aventuras do cavaleiro são uma boa pegada para quem gosta de histórias despretensiosas e cheias de ação.

Brasiliana Steampunk

Se na indicação anterior o autor resolveu expandir seu universo além da literatura, aqui nós vamos ainda mais longe. Estudioso da arte transmídia, o escritor Enéias Tavares toca o ambicioso projeto Brasiliana Steampunk, que concentra a história num Brasil ficcional onde personagens clássicos da nossa literatura interagem entre si. No centro das tramas, um grupo de aventureiros autodenominado Parthenon Místico. Os passos que consolidaram este universo foram dados no romance policial A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison, que narra através de cartas e "gravações mecânicas" os acontecimentos que se seguem após a prisão de um assassino serial na cidade de Porto Alegre dos Amantes. Não bastasse ter escrito um dos romances mais inventivos da ficção científica nacional, Enéias seguiu ampliando seu universo em direção a outras linguagens, incluindo vários contos, um suplemento escolar, áudios dramáticos, um jogo de tabuleiro (Cartas a Vapor), webcomics e agora uma audaciosa série em live action. Dá pra se perder por bastante tempo neste universo!

Arcane Sally & Sr. Vapor

Lançada primeiro online no Tapas em inglês e depois impressa em edição nacional numa campanha no Catarse, a história em quadrinhos Arcane Sally & Sr. Vapor é escrita pelo norte-americano David Alton Hedges com desenhos do brasileiro Jefferson Costa (La dançarina, Jeremias: Pele). Misturando os conceitos científicos do steampunk com fantasia (uma tendência nos últimos anos), acompanhamos Sr. Vapor, um agente da coroa britânica, e seu fiel valete Sr. Runnymede em caça a um criminoso que supostamente voltou dos mortos. Para isso eles contarão com uma nova e misteriosa parceira, Miss Sally. Essa edição nacional compila os três primeiros capítulos da webcomic (que é tudo que saiu até agora... Cadê o resto, Jefferson??).
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Depois quero saber sua opinião sobre o meu cordelzinho! Tem outras indicações steampunk nacionais? Comente aí embaixo. Você pode também deixar um comentário sobre este texto no meu Facebook ou no meu Instagram.

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Alimentem as caldeiras, que tenho um quadrinho para terminar!

29 de março de 2019

O Príncipe Dragão (Lista do Zé #22)


Olá, olá!

Com muitos projetos em andamento tá complicado impedir alguns "hiatos" nos meus textos. Nunca antes estive tão envolvido em projetos relacionados à arte como agora. Tem quadrinhos, cinema e talvez até um retorno à música em andamento. Ainda que eu não consiga dar uma data AINDA, meu próximo projeto é a continuação de Steampunk Ladies, quatro anos após o lançamento do primeiro volume. Segurem as pontas, por que está saindo.

Eu tinha preparado outro texto pra hoje, mas nessa semana consegui concluir a segunda temporada de O Príncipe Dragão, animação que eu indiquei rapidamente no texto passado. Tenho que dizer que fiquei maluco no final, pensando em várias coisas em que a série me afetou, e acabei colocando esse texto na frente para tentar convencer vocês a também conhecer a série, já que eu vejo tão poucas pessoas falando a respeito dela. Será que eu consigo?

Ah, antes disso, Cangaço Overdrive está concorrendo ao Prêmio Le Blanc de Arte sequencial, Animação e Literatura Fantástica e QUALQUER PESSOA pode votar. Concorremos na categoria HISTÓRIA EM QUADRINHOS NACIONAL PUBLICADA POR EDITORA. Se curtiu o quadrinho e quer ver seu legado continuar, separe dois minutinhos pra votar neste link: http://bit.ly/CotiaraNoLeblanc

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Quando numa San Diego Comic-Con anunciaram O Príncipe Dragão (The Dragon Prince), me empolguei bastante. À frente de qualquer descrição sobre a trama surgia apenas a frase: "Dos mesmos criadores de Avatar: A Lenda de Aang)". Como grande fã de Avatar e de sua sucessora, A Lenda de Korra, era empolgante vê-los numa tentativa de criar um novo mundo de fantasia. Mas confesso a grande tristeza quando vi o primeiro trailer de O Príncipe Dragão... Ao que parece o público infantojuvenil tem demonstrado uma certa aversão ao estilo tradicional de animação, o que tem feito a maior parte das produtoras apostar nas animações em 3D. Em OPD (vamos abreviar para facilitar) isso se repete, com o adicional de uma escolha questionável pela diminuição da taxa de quadros (efeito que faz parecer às vezes que estamos assistindo um slideshow ao invés de um desenho animado). Lá mesmo, naquele trailer, eu condenaria essa técnica. Preciso dizer que eu queimei minha língua sobre ela alguns anos depois, ao ver Homem-Aranha no Aranhaverso, que se utiliza muito melhor do mesmo recurso. O fato é que OPD nem de longe tem o charme da animação do teioso. Era o fim, certo? Como encarar uma animação que incomoda tanto? Com um bom roteiro, claro.

Na trama de OPD, os irmãos e príncipes humanos Callum e Ezran começam uma inesperada parceria com Rayla, uma elfa assassina enviada para matá-los. Trabalhando em conjunto, eles embarcam em uma jornada épica na busca de paz para seus reinos em guerra.

O tal criador de Avatar envolvido em OPD é Aaron Ehasz, na verdade um dos principais roteiristas da animação já clássica da Nickelodeon. Junto dele, outras cabeças ligadas principalmente ao mercado de videogames, pessoas que contribuíram em jogos como League of Legends e Uncharted (e vale dizer que há um game de OPD já em desenvolvimento). Com um pé na jornada aventuresca da animação de Aang, mas em alguns momentos alçando voos que a aproximariam de Game of Thrones (ou uma versão para todos os públicos dela), a equipe de criadores e roteiristas conseguiu criar um intrigante trama que explora de forma muito competente contornos familiares e políticos.

"Mas Game of Thrones, Zé? Sério mesmo?". Um dos grandes trunfos de OPD são os personagens, tão tridimensionais quanto a animação em si, o que lembra muito a série da HBO. Em muitos momentos é até difícil definir os antagonistas, criaturas tão (ou mais) interessantes que a trinca principal de protagonistas. Só no final da segunda temporada é que se tem uma dimensão maior das forças antagônicas da série (ou pelo menos eu acho que tive). Sobre os personagens, é interessante ressaltar a forma sensível como a diversidade é representada, com um casal de rainhas, um lobo deficiente físico, um pirata cego e ainda a sensacional Amaya. Esta última, uma das minhas personagens prediletas, é uma general surda e muda que se comunica com os outros personagens através de libras. Esses discursos acontecem de forma tão natural que esse é o tipo de desenho animado que eu quero que minhas filhas vejam mais e mais no futuro.

Mas o fato de ser influenciada por cenários de alta fantasia como GOT não impede que a série explore de forma muito satisfatória um dos itens obrigatórios das animações infantojuvenis: o humor. Mesmo em momentos mais dramáticos, os personagens ainda fazem piadas sobre suas próprias situações, equilibrando bem os positivos e negativos. O destaque fica para a personagem Claudia. Tão obscura quanto a magia que usa, Claudia tem alguns dos melhores momentos de humor, enquanto tem um dos arcos dramáticos mais misteriosos da série.

Tudo isso em apenas duas temporadas curtas de nove episódios cada. A animação, que é uma série original Netflix, parece estar ainda longe de terminar. E tem potencial para se tornar algo ainda muito maior.


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Salvem o príncipe dragão!

27 de dezembro de 2018

Pra começar 2019 com animação (Lista do Zé #21)


Olá, olá!

Estranhou a falta de um "boas festas" no texto anterior? É por que eu ainda tinha uma carta na manga. Quem me conhece sabe que sou apaixonado por desenho animado, em todos os seus gêneros, espectros e nacionalidades. Inclusive, é um sonho meu um dia poder me envolver com isso. Então juntei algumas coisinhas pra começar 2019 com animação (tudunts!). Não é uma lista de melhores do ano por que a) nem tudo é de 2018 e b) bem que eu queria ter visto coisas o suficiente pra fazer uma lista dessa com propriedade mas o tempo não deixa. Por sinal, o que eu mais gosto das indicações abaixo é que são séries com episódios curtos e que são facilmente encaixáveis em momentos livres. E, tirando o bônus, todos estão disponíveis na Netflix. Ah, para dicas diárias e em tempo real, me siga no Instagram: instagram.com/zewellington


1. O PRÍNCIPE DRAGÃO

Foi quase, MAS QUASE MESMO, que deixei passar O Príncipe Dragão. Vendida como a nova animação das mentes criativas por trás de Avatar: A Lenda de Aang, a série se passa num mundo fantástico que me lembra mais Game of Thrones. Mas se a pegada da animação é bem mais pra família, o desenho animado e a série da HBO têm mais coisas em comum: apresentam personagens complexos e a mesma perspectiva sobre as nuances complexas entre o bem e o mal. Um dos maiores exemplos é o Lorde Viren, antagonista dessa primeira temporada. Habilidosamente os roteiristas manipulam seus interesses entre os dois lados da trama e o espectador nem sabe direito no que acreditar. E eu poderia facilmente construir um texto sobre cada um dos três personagens do grupo principal da série ou ainda dos incríveis coadjuvantes (como Claudia e Amaya), mas não quero estragar nenhuma surpresa. Resumindo: o roteiro é definitivamente o ponto alto. Como eu disse antes, eu quase dispensei a série, por conta do seu principal defeito já presente desde o primeiro trailer: a animação. A técnica de computação gráfica estranhíssima escolhida pela produção, com uma taxa de quadros por segundo reduzida, quase põe tudo a perder. Em algumas cenas de ação mais rápidas a impressão é que o vídeo está travando. Mas vá na fé, os olhos se acostumam rápido e a história envolve de uma forma que rapidamente vai embora a curta primeira temporada.

2. VOLTRON - O DEFENSOR LENDÁRIO

Estamos ainda naquelas produções em que, pelos trailers e divulgações, eu não daria nada. Remake de um anime da década de 80, Voltron – O Defensor Lendário é uma grande homenagem a essas produções de “mechas”, conhecidas vulgarmente como “filminhos de robô gigante”. A pegada aqui não é Power Rangers, mas algo mais pra Macross ou Gundam, outros clássicos japoneses. Beleza? Não, não. Esquece isso. Voltron, o robô lendário da série, se monta talvez umas quatro vezes na primeira temporada de 11 episódios da série. Capitaneado por uma experiente equipe de animação, o desenho animado ganha contornos complexos e histórias que focam no passado dos pilotos dos leões que formam o robozão. Como showrunners temos dois nomes quase ocultos do mainstream, mas que figuraram entre os principais desenhos animados lançados nos últimos vinte anos: Lauren Montgomery e Joaquim dos Santos (não estranhem o nome, Joaquim nasceu em Portugal). Os dois estiveram à frente de boa parte das boas (e algumas ótimas) animações lançadas pela DC Comics nos últimos vinte anos e ainda o já citado Avatar: A Lenda de Aang e sua continuação A Lenda de Korra. Dito isso, já se sabe o que esperar: uma trama cheia de nuances, com muita cabeça mas também bastante coração. E as lutas de robô contra monstros? Ah, tem delas também. São poucas, mas quando acontecem ocupam quase episódios inteiros e são bem empolgantes. Voltron não é a melhor coisa que você vai assistir na vida, mas vai te divertir bastante. Só vi a primeira temporada (de 2016) e assistir até a oitava já lançada é uma das primeiras resoluções para 2019.

3. HILDA

Provavelmente a melhor animação de 2018 na minha opinião, Hilda é uma adaptação da série de histórias em quadrinhos do mesmo nome, criada pelo inglês Luke Pearson. A animação aproveita um pouco dos quadrinhos, mas segue seu rumo próprio levando a personagem que dá nome às histórias para uma aventura na cidade. Olha, eu tenho duas filhas, uma de cinco e outra de três anos, e é um desafio diário encontrar coisas que consigam capturar a minha atenção e a delas ao mesmo tempo. Quando encontramos algo que elas gostam, é bobo demais pra mim. Aí eu encontro algo que eu gosto e parece perfeito pra elas e... Elas não tão nem aí. Quem é pai sabe como é. Por isso Hilda é ouro puro. Uma animação fofinha, com um design de personagens lindo, cenários de degradê hipnotizantes e trilha sonora de vídeo-game (feita pela canadense Grimes), capazes da tarefa hercúlea que é prender a atenção de uma criança com menos de dez anos. E ainda consegue usar todos esses elementos para embalar uma história poderosa, cheia de fantasia e mensagens positivas e onde nada é o que parece. E nada é por acaso também. Tudo acontece por um motivo e episódios que parecem isolados se conectam numa grande história. Hilda é uma verdadeira obra de arte da animação moderna. Se esse tipo de filme é a sua pegada, só veja.

4. RICK AND MORTY

Já falei sobre as duas primeiras temporadas de Rick and Morty (leia aqui). De uns tempos pra cá o negócio virou uma febre (e foi um dos temas que mais vi na CCXP deste ano). Então corre, por que a terceira temporada tá na Netflix! Sem dar muitos spoilers, eu adianto que é a temporada mais sombria e filosófica da série. No mesmo episódio que Rick vira um pickle (Pickle Rick!) e protagoniza uma (VIOLENTA) homenagem ao cinema de ação das décadas de 80 e 90, temos uma análise da família dos protagonistas num consultório psicológico que é um dos diálogos mais bem escritos que assisti nos últimos tempos. Rick and Morty continua uma animação MUITO ERRADA (e inapropriada para menores de 18 anos). Mas ainda assim é impossível deixar de assistir.

5. OSWALDO

Esse é um bônus, ok? Isso por que das animações que eu tô indicando aqui Oswaldo é a única que não tem na Netflix (mas deve estar disponível no Cartoon Network Já!, para quem tem CN na sua tevê por assinatura). Vivemos um momento incrível na animação nacional. O Brasil conseguiu derrubar várias barreiras e vincular seus conteúdos em canais como Discovery Kids, Cartoon Network e os canais da Disney, junto com algumas das maiores produções do mundo. E não é simplesmente uma cota sendo cumprida: algumas dessas animações estão entre as mais assistidas dos canais onde são vinculadas. Oswaldo, que mostra o dia a dia de um pinguim de 12 anos dentro de uma família “normal”, é um desses bons exemplos. Criado por Pedro Eboli e pelo Birdo Studio, a animação é um prato cheio para quem viveu sua adolescência entre internet, RPG e vídeo-games na (não mais tão próxima) década de 90. Com roteiros espertíssimos, o desenho sabe como fazer rir. Os 13 episódios da primeira temporada têm 11 minutos cada de humor bem feito para todas as idades. Oswaldo foi a animação mais assistida na Cartoon Network em 2017, mesmo enfrentando gigantes como Hora da Aventura e Steven Universo. Uma façanha merecida. E a segunda temporada vem aí em 2019.

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2018 foi um ano maluco pra mim. Mas foi o ano de Cangaço Overdrive, então acho que valeu muito a pena. Estou sendo marcado em algumas listas de melhores do ano e recebendo críticas e resenhas incríveis do trabalho (a última foi essa do Judão). Muito obrigado a todo mundo que comprou e/ou divulgou o quadrinho. Vocês me ajudaram a fazer esse ano um pouco melhor.

Para 2019 tem a continuação de Steampunk Ladies: Vingança a Vapor no forno, uma adaptação literária para HQ e uma vontade imensa de voltar à prosa (e, quem sabe, pelo menos terminar de escrever a primeira versão do meu primeiro romance). Existem outros projetos menores e muitos obstáculos. Mas eu sigo da mesma forma como sempre segui em toda minha vida: um passo por vez.

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Agora sim: um ótimo final de ano para todo mundo!

21 de dezembro de 2018

CCXP: como é estar no coração do evento (Lista do Zé #20)

FOTO: Autógrafos na mais perfeita ergonomia na Alley da CCXP.


Olá, olá!

Este ano lancei um quadrinho novo e já emendei a divulgação dele com a participação na Comic Con Experience, mais conhecida como CCXP, o que deixou esse semestre bem intenso. Por sinal, vou falar um pouquinho nesse texto da experiência de expor no evento e de participar como artista em convenções do tipo. Vai!

No coração do entretenimento brasileiro


Só no quinto ano de realização consegui participar pela primeira vez da CCXP, grande evento de entretenimento encabeçado pelo site Omelete e pela agência Chiaroscuro Studios (além de vários outros parceiros). Embora nunca tenha participado de eventos do tipo fora do Brasil, sei pelos depoimentos dos organizadores que a CCXP é baseada em eventos como a San Diego Comic Con e a New York Comic Con. O comic no nome já denuncia que os quadrinhos tiveram papel importante na origem desses eventos, mas já lá fora os estúdios de cinema (e agora também de televisão) vêm conquistando os maiores espaços de exposição. Aqui no Brasil não é diferente: nossa versão brasileira de uma grande convenção já é marcada pela divulgação dos grandes blockbusters vindouros. Mas os quadrinhos resistem e estavam representados nesta CCXP na participação de editoras como Panini, JBC e Jambô e ainda pela imensa Artists’ Alley, local onde se concentram os chamados artistas independentes (eu poderia fazer um texto inteiro sobre o uso do termo “independente” aqui, mas vou deixar pra uma próxima vez).

Há uma seleção acirrada pelo espaço na AA da CCXP. Foram aproximadamente 540 selecionados entre mais de 1.000 inscrições. Nós pagamos para ter um espaço lá, um valor que, embora venha crescendo ano a ano, ainda é menor do que o valor dos ingressos de quem vai apenas pra curtir. Para os artistas a CCXP é trabalho PESADO. Por contrato não podemos abandonar nosso espaço no evento. Embora na maioria dos casos as mesas do AA sejam duplas e permitam um rodízio (e este ano tive a companhia incrível do roteirista e letrista das estrelas Deyvison Manes), dificilmente quem está lá quer se ausentar do seu espaço, já que isso significa perder vendas (e num evento gigante como a CCXP, é pouco provável que alguém faça o mesmo caminho duas vezes). Em um dos dias, fora pequenos intervalos para banheiro e lanche, cheguei a ficar 10 HORAS na minha mesa em atividade intensa. Por que se os grandes nomes internacionais (alguns brasileiros, inclusive) podem se dar ao luxo de ficar sentados esperando as filas de autógrafo se formarem na sua frente, para a maior parte dos autores uma nova função na sua carreira precisa ser desenvolvida neste período de cinco dias de evento: VENDEDOR.

A maior parte do público passante da CCXP não consome quadrinhos. Muitos estão cientes da existência de grandes personagens dos quadrinhos, como Capitão América, Homem de Ferro e Superman, mas muito por conta dos filmes dos cinemas ou dos milhares de produtos licenciados (ou não). É nesse momento que o artista da AA precisa se apresentar e em alguns momentos até abordar algum curioso na frente da mesa para vender seu trabalho. Sei que para alguns colegas fazer isso é algo impensável e que os incomoda bastante. Eu meio que venho perdendo esta vergonha de evento pra evento, especialmente quando percebi que o que ganho desse contato é imenso, tanto na possível conversão da compra quanto num feedback imediato.

Nesta CCXP percebi o grande acerto que foi a criação do conceito de Cangaço Overdrive, que acabou sendo uma das grandes lições do evento. Misturar cangaceiros e ficção científica (além da sacada do nome do projeto e da belíssima capa feita pelo Daniel Canedo) gerou um grande número de pessoas parando em frente à minha mesa. Mas nem só de abordagens a curiosos foi feito o meu evento. Todo o trabalho que venho desenvolvendo nestes mais de dez anos fazendo quadrinhos trouxe à minha mesa muita gente que queria me conhecer e até mesmo completar a sua “estante do Zé”. Cada elogio e cada “esperando a continuação” que recebia gerava uma energia inexplicável (também conhecida como “quentinho no coração”). Contou também ao meu favor todo esforço de divulgação que fizemos, em mais uma parceria de sucesso com a Editora Draco, no decorrer de 2018. Além do buzz gerado nos primeiros meses de lançamento, antes do evento conseguimos alguns espaços importantes em veículos conhecidos em matérias com “quadrinhos indicados para conhecer no evento”. E aí vem o outro aprendizado: qual o melhor momento para fazer um lançamento de quadrinhos?

Primeiro tenho que destacar que, mesmo com toda minha organização para o evento, houve um ponto falho. O segundo volume de Steampunk Ladies deveria ser o meu lançamento para o evento, mas acabamos adiando o lançamento para não comprometer a qualidade do produto final. Lançado há mais de seis meses, Cangaço Overdrive acabou tendo que ocupar este lugar. Eu, que sempre evitei lançar meus quadrinhos próximo a grandes eventos por conta da grande concorrência no período (um dia também escrevo sobre isso), percebi o quanto seria vantajoso ter algo recente na CCXP. Meu estoque pessoal estava baixo (e preciso dizer que voltei para casa praticamente sem NADA do que levei). A situação só não foi pior por conta do apoio imprescindível que recebi da editora. Não acho que seja assim para todos os artistas, tanto que conheço colegas que não tiveram sua expectativa de vendas atendida no evento. Há algumas variáveis aí, mas penso que a maioria delas está relacionada com a habilidade que o artista tem para divulgar suas obras. Conta a meu favor minha dedicação nessa área e minha experiência profissional com marketing (meu trabalho na “vida real”). Como autor foi legal ver a saída e o interesse nas minhas obras. E olha que já fui a eventos em que eu tinha que me desdobrar para carregar de volta a maior parte do estoque que tinha levado... Pra minha sorte, a CCXP se confirmou como um local para vender, com um público sedento em consumir novidades.

Fico feliz por ter conseguido participar do evento. Meu ano foi conturbado e cheguei a desistir de ir ao evento no início do semestre. Há muito investimento envolvido nesta viagem de mais 3.000 km e a grana despendida, apesar de alta, nem é o maior dos gastos. Conciliar a vida profissional e pessoal sem muitas certezas dos retornos criam uma espécie de estresse pré-evento. Para estar na CCXP, abri mão, por exemplo, da festinha de final de ano da escola das minhas filhas, o que me gerou uma culpa enorme enquanto estava em São Paulo. E aí vale destacar o GRANDE apoio que recebi da minha esposa para encarar esta aventura. Felizmente, o resultado desta jornada foi a substituição do estresse pré-evento por uma satisfação pós-evento. Uma boa maneira de dar fim a 2018.

P.S. IMPORTANTE: nunca mude seu cabelo antes de um evento desse por que muita gente não vai te reconhecer.

Detalhe da minha mesa na CCXP 2018.


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Lá no Facebook (ou o que ainda resta dele) criei uma página, mais para poder atender a algumas necessidades de divulgação usando anúncios. Se você é um dos resistentes que ainda usam a rede, aproveita pra curtir: fb.com/zewellington (inclusive você pode deixar um comentário sobre esse texto no post dele lá).

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Ah, estou colocando tudo que leio nos meus perfis no Skoob (me sigam também no meu perfil de autor) e Goodreads e o que assisto está indo pro Filmow. Cliquem nos links e me adicionem por lá.

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Só vem, 2019!