25 de julho de 2016


Olá, olá!

Não passou nem um mês e estou aqui batendo na sua porta de novo, como um Jack Nicholson desesperado! Mas na verdade estou bem feliz hoje, que foi o que me trouxe a esta edição extra da lista.

Na semana passada saiu o resultado preliminar do Troféu HQMIX e tive a satisfação de saber que, pelo segundo ano consecutivo, estou indicado a categoria Novo Talento - Roteirista no principal prêmio de quadrinhos do país, desta vez pelo meu trabalho em Steampunk Ladies: Vingança a Vapor. Não bastasse isso, minha HQ ainda é finalista na categoria Colorista/Arte-finalista, pelo trabalho maravilhoso do piauiense Ellis Carlos nas cores. Eu precisava dividir isso com vocês.

A votação final (ou segundo turno) segue até o próximo dia 30, neste link (onde apenas votantes previamente cadastrados votam). O resultado deve sair já na semana que vem. Cruzem os dedos!

"Mas só isso?", "Você veio aqui só pra se autopromover hoje?", vocês devem estar se perguntando. Pra não ficar só nisso, resolvi compartilhar mais uma indicação, o último livro que li e provavelmente uma das melhores leituras que fiz na vida. Se escrever me trouxe mais uma vez aos indicados do HQMIX, vamos falar sobre com a ajuda de quem faz isso como ninguém.
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Sobre a escrita

Apesar de ter sido lançado em 2000 nos Estados Unidos, Sobre a escrita: A arte em memórias, do escritor Stephen King, demorou 15 anos para ter uma versão brasileira. Pra piorar, contrariando os vários elogios, só este ano subi o livro na minha pilha de leituras. Eu não sabia o que encontrar quando comecei a leitura deste "manual para escritores" de um dos autores que mais me influenciou (como vocês devem ter percebido no meu e-mail anterior).

Podemos dividir este livro em três partes. Na primeira parte, que o autor identifica como seu "currículo", vemos King contando sua história e os caminhos que o levaram a ser escritor, tudo da forma como ficou conhecido nos seus livros. A relação com a mãe e o irmão, os primeiros textos publicados e o duro caminho antes do seu primeiro grande sucesso são algumas das histórias contadas do jeito muito particular de Stephen King. Essa parte dá ao livro o tom de autobiografia pelo qual também é conhecido. Na segunda parte, o livro se torna um manual de fato. Mesmo dizendo que quer evitar criar regras, King fala sobre o seu processo nos mínimos detalhes. Numa guinada brusca de estilo e ritmo, nesta parte vemos um texto mais técnico. Se a primeira parte pode ser divertida para qualquer leitor, esta pode enfadar um pouco os não-escritores. Já para quem quer chegar onde King chegou, este pedaço é OURO PURO. Só é necessário compreender que o que King fala aqui se refere muito à sua realidade. Não dá pra levar tudo ao pé da letra, já que alguns tópicos não estão alinhados com a escrita em língua portuguesa ou com o mercado livreiro brasileiro (segure as pontas antes de sair cortando os advérbios dos seus textos ou procurar catálogos de agentes literários, como sugere King). E aí eu saio um pouco da resenha para dar uma sugestão. Com relação às dicas gramaticais, é melhor procurar manuais escritos por autores brasileiros. Sobre a parte de mercado, eu recomendaria sites como o Homo Literatus e o Viver de Escrita e podcasts como o Cabulosocast e Os 12 Trabalhos do Escritor, que exploram a profissão de escritor no Brasil no nível do livro do King. Voltamos à autobiografia na terceira parte, aqui já com um pouco de texto motivacional. Muito focado no acidente que o autor sofreu em 1999, acompanhamos a recuperação de King e como a escrita foi essencial neste processo. É o momento onde temos as dicas finais, entrecortadas por um relato detalhado de um dos momentos mais difíceis da vida do escritor.

Sobre a escrita é um trabalho de não-ficção de um dos reis da ficção e, vamos ser sinceros, podia ser uma bula de remédio ou uma intimação judicial: sendo escrita pelo King ainda assim valeria a pena a leitura. Curtinho, este é um livro pra se ler numa sentada num final de semana (ou, no meu caso, em algumas horas de uma viagem de trabalho). Para quem é fã do autor, um texto obrigatório. Para quem quer escrever, um apanhado de lições valiosas, algumas óbvias, outras nem tanto. E, se o rei falou, é bom escutar
* * *

Já leu Sobre a escrita? O que achou? Tem mais algum manual de escrita criativa para recomendar?

Ah, é sempre bom lembrar que estou colocando tudo que leio nos meus perfis no Skoob (me sigam também no meu perfil de autor) e Goodreads e o que assisto está indo pro Filmow. Cliquem nos links e me adicionem por lá. E, se já leu meus quadrinhos, não esqueça de deixar sua avaliação neles.

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Bem rapidinho


Fico por aqui hoje. Já está com os dedos cruzados?


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15 de julho de 2016

Olá, olá!

Vamos tentar uma coisa diferente hoje? Que tal um pequeno conto?

Escrito nos primeiros dias de 2013, Violência doméstica foi um conto que fiz para participar da coletânea The King (Editora Multifoco), que reuniu pequenas histórias de autores brasileiros inspiradas no trabalho do Stephen King. A ideia surgiu enquanto eu lia um conto do King chamado Parto em casa (publicado no Brasil no primeiro volume de Pesadelos e Paisagens Noturnas, livro de contos excelente que eu mais que recomendo). Você já deve ter lido um livro ou assistido um filme e em algum momento ter pensado: "e se a história fosse por este lado?". Foi daí que surgiu Violência doméstica. Outra curiosidade interessante é que escrevi a primeira versão deste conto praticamente em uma "sentada" só, no confortável teclado (#sqn) do meu iPad, deitado numa rede, num alpendre de um sítio na Serra da Meruoca. Então quaisquer indicações a este cenário não será mera coincidência.

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Violência doméstica, por Zé Wellington

Quando deu a notícia no jornal na TV, a apresentadora não evitava olhar torto para seu colega e marido do outro lado da bancada. Imaginava como estariam os trigêmeos em casa. "Estão por todo o planalto. O Ministério da Defesa ainda não se pronunciou, mas acredita-se que se trate de algum experimento descontrolado. Que Deus nos ajude. Boa noite". Encerrou categórica e sem conseguir evitar um soluço. Foi seguida de um boa-noite ainda menos animado do outro jornalista.

Em casa, Penha estremeceu. O dia que o pastor sempre falou havia chegado. Podia ficar tranquila tendo pagado o dízimo religiosamente em dia nos últimos meses? Deitou-se na velha rede e começou a rezar.

Pela internet, especialistas especulavam a origem da infecção. Os primeiros casos, rapidamente isolados na China e na Índia, eram praticamente iguais no restante do mundo. Rússia, Japão, um caso isolado – mas suficiente para infectar Berlim inteira – na Alemanha. A lógica apontava para um caso no Brasil nos próximos dias. No aniversário de um mês do primeiro morto-vivo um gari do Espírito Santo teve um enfarto e, dois segundos depois de cair morto, avançou no pescoço de uma mendiga, que, trinta segundos depois, deixou cair no chão o apetitoso sanduíche que tinha ganhado de um executivo e abocanhou seu bebê maltrapilho. Rapidamente as regiões sul e sudeste do país estavam dominadas, junto com Argentina, Uruguai e uma parte do Chile.

Penha tinha desistido de ir à igreja logo na primeira semana. Nenhum monstro tinha aparecido na sua cidade ainda. Sem monstros, sem mordidas. Sem mordidas, sem monstros. Simples assim. Com o exército barrando as entradas da cidade, aquele local parecia seguro. Foi quando ouviu que em alguns cemitérios os "velhos" mortos também estavam querendo levantar. Mandou Osmar Filho e Vera Lúcia para a casa de sua irmã. Sozinha em casa sentou-se na cadeira de balanço e se pôs a tricotar. Não ia demorar.

As maiores capitais do mundo estavam em quarentena. A ONU aconselhava que todos que morressem fossem cremados. Houve protesto de diversos grupos religiosos contrários a transformação dos defuntos em cinzas. Nos Estados Unidos duas igrejas pregavam a "autotransmortização" como um retorno aos primórdios e a inocência despida dos pecados capitalistas. Uma onda de suicídios se iniciou. Agora bastava morrer para se tornar um morto-vivo.

A porta do quintal gemeu e Penha se agitou. Desajeitada, pegou a única arma que dispunha a mão: uma velha vassoura de palha. Ficou tremendo atrás da porta esperando até o momento em que um gato preto entrou na sala. Respirou aliviada e pensou que deveria se preparar melhor para o que estava por vir. Com a infecção, as licenças para armas de fogo estavam dispensadas. Penha comprou um calibre trinta e oito, mesmo o vendedor oferecendo um modelo automático. Seu pai teve uma dessas e uma vez até deixou que ela atirasse num monte de garrafas. Penha precisava de algo familiar naquele momento.

Com as tevês interrompidas, as pequenas rádios AM locais eram a única forma de as pessoas ficarem atualizadas sobre a infestação. Eram cinco da manhã quando o repórter policial noticiou que um cientista indiano havia descoberto uma vacina a base de alho capaz de evitar a infecção. "Não vai trazer de volta seu parente, mas vai evitar o súbito apetite por miolos caso você seja mordiscado", disseram com palavras mais bonitas na coletiva de imprensa. Sem novas infecções, em um mês a população de zumbis tinha diminuído em sessenta por cento. Voluntários – em sua maioria caipiras das cidades interioranas sobreviventes – formaram o exército de espingardas que parou a proliferação dos desmortos. Em mais alguns dias tudo aquilo seria passado. Hollywood já tinha pelo menos três filmes engatilhados, sendo um deles o inusitado ponto de vista de um zumbi, estrelado por Bill Murray.

Depois que ouviu as boas novas no rádio, Penha parecia tranquila quando pisou no quintal de casa. Respirou devagar, deliciando-se com o cheiro das fezes do galo que criava no fundo da casa. Mal se virou para entrar quando uma mão brotou do terreno arenoso segurando seu calcanhar. Penha reagiu instintivamente chutando o membro, que parecia estar em estado avançado de decomposição. Correu para dentro de casa, mas antes de fechar a porta pôde observar aquele cadáver levantar-se desajeitado. "Ainda parece o mesmo bêbado de sempre", pensou. Empurrou a velha máquina de costura à frente da porta e correu até seu quarto, desenrolando o trinta e oito de um velho lenço, primeiro presente de namoro. Podia ouvir o som violento da porta do quintal sendo esmurrada. A última pancada parecia ter derrubado a velha Singer no chão. Penha se posicionou no corredor. Iria encará-lo de frente. O invasor caminhava devagar com a cabeça baixa, puxando uma perna. Penha tremia, mas mantinha-se com a arma apontada para o defunto, que interrompeu sua caminhada e olhou nos olhos da desesperada mulher. "Precisa engatinhá-la, meu bem", disse o desmorto com suas carcomidas cordas vocais. Penha deu um pulo para trás quando percebeu que ele podia falar. "Como estão os meninos? O Oscarzinho ainda tá dando trabalho pra professora?", prosseguiu o cadáver, que após essa última frase teve que puxar uma minhoca de dentro da boca. "Comparado a isso sua comida até que não é tão ruim", continuou tagarelando com aquele meio sorriso irônico que Penha tinha aprendido a odiar. O zumbi sentou-se na cadeira de balanço no corredor da casa. Parecia tranquilo e à vontade.

Pilhas de corpos eram queimadas em praças públicas sob muitas comemorações. Várias pessoas diziam ter voltado da “desmorte” na televisão. Uma mulher lutava na justiça para continuar casada com um morto-vivo. Dois chineses anunciaram fábricas de calçados movidas a trabalho zumbi. Podia ser o fim da mão-de-obra barata e do trabalho escravo nos países subdesenvolvidos.

“Eu devia saber que cada surra que te dei foi pouca”, continuava aquele desmorto na sala de Penha, “achei que tu sabia onde era teu lugar e olha o que tu fez comigo". Penha tentava respirar devagar e se concentrar quando alguém tocou a campainha. Era Tonico, vizinho da frente. Penha não queria abrir a porta e ter de explicar por que o cadáver de seu marido – que ela dizia ter saído de casa para comprar um maço de Derby e nunca mais tinha voltado – estava ali parado, balançando na cadeira. Permaneceu em silêncio e mal percebeu quando o zumbi levantou e a agarrou pelo pescoço. “Tu bota veneno na minha comida e acha que eu vou deixar por isso mesmo? Vou te dar uma surra que você nunca mais vai esqu--", antes que o zumbi pudesse terminar de falar, Penha enfiou o cano do revolver em seu olho putrefato. Atordoado, o morto-vivo cambaleou até a porta do quintal, onde Penha o acertou com sua panela de pressão, forçando-o a sair da casa. Ficou tentada a terminar o serviço com o trinta e oito, mas o barulho podia chamar a atenção do vizinho. Pegou a garrafa de álcool embaixo da pia da cozinha e despejou sobre o marido. Antes de acender o fósforo, Penha contemplou o desmorto por alguns segundos. Ele parecia incomodado com a ardência do combustível. O zumbi queimou durante pelo menos quinze minutos.

Discursos decorados por cientistas condecorados se tornaram um clichê na televisão. Por um instante todas as guerras foram esquecidas e as diferenças entre raças e religiões pareciam nunca ter existido. O mundo parecia ter mais paz do que antes. As famílias mais unidas. Enquanto isso Penha chorava enquanto varria as cinzas no alpendre do seu quintal.
* * *
Bom, é isso. Agrada a vocês a ideia de vez ou outra eu colocar um conto (ou uma história em quadrinhos, quem sabe) aqui? Responde este e-mail e me diz o que achou.

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Bem rapidinho

  • Lembra que eu falei d'Os 12 Trabalhos do Escritor, podcast do escritor AJ Oliveira? Os episódios continuam fantásticos e a recomendação permanece para aqueles que pretendem se aventurar em escrever. E para motivar ainda mais os ouvintes, ofereci um exemplar de Quem Matou João Ninguém? e outro de Steampunk Ladies: Vingança a Vapor, com dedicatória e autógrafo, para sorteio. Clique aqui para saber como participar.
  • Ainda falando de podcasts, gravei mais um episódio com os companheiros de pena PJ Brandão e Luis Carlos Sousa, desta vez sobre personagens e com a participação especialíssima da Marcela Godoy, roteirista da última Graphic MSP, Papa-Capim: Noite Branca. Um papo de alto nível que você pode escutar clicando aqui.
  • Termina hoje a votação do Troféu HQMIX! Se você é votante do prêmio basta acessar este link (acessível só pra quem se cadastrou antecipadamente). E se por um acaso você leu e gostou de Steampunk Ladies, vale lembrar que estamos concorrendo em algumas categorias: Novo Talento - Desenhista (Di Amorim e Wilton Santos), Novo Talento - Roteirista (Zé Wellington), Colorista (Ellis Carlos), Edição Especial Nacional (Steampunk Ladies) e Projeto Editorial (Steampunk Ladies).
Por hoje só. Até a próxima e cuidado com mortos enterrados no quintal!


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27 de junho de 2016


Olá, olá!

Hoje é o texto do QUASE.

Minha ideia nestes textos é sempre falar sobre as últimas coisas que vi, que me chamaram atenção e que me fizeram querer passar adiante. Por um tempo cogitei que aqui era o lugar de coisas MEDALHA DE OURO, OSCARIZÁVEIS, EISNERIZÁVEIS ou, como alguns de vocês podem gostar de chamar, TOP (seguido de emojis de setinhas pra cima). Estou evitando nestas indicações ter que recorrer a coisas que estão entre os meus "melhores da vida" e procurando indicar obras mais recentes e que estejam na minha memória recente. E estas últimas semanas pertenceram a obras que não entraram entre os meus melhores, mas que chegaram QUASE lá.

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The Bletchley Circle

Pra escrever Steampunk Ladies, mergulhei num universo de obras protagonizadas por mulheres. Não apenas obras protagonizadas por mulheres, mas obras do tipo que as mulheres diziam se identificar (afinal há um absurdo de protagonistas femininas por aí que não atraem mulheres e eu inclusive já tive oportunidade de gravar um podcast sobre isso). Dentro de um grupo no Facebook com discussões sobre a representação das mulheres nos quadrinhos, vi a série The Bletchley Circle ganhar força entre várias meninas. Na história acompanhamos quatro mulheres tentando impedir um assassino em série na Londres da década de 1950. Tramas com assassinos seriais na Inglaterra, por si só, já são bem atraentes (é uma tradição que começou com toda a curiosidade em volta de Jack o Estripador), mas aqui conta também o fato de as protagonistas terem sido “codebreakers” (ou decifradoras) em Bletchley Park, estação militar secreta real onde várias mulheres tentavam quebrar os códigos nas comunicações alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. Em sua primeira temporada, The Bletchley Circle é um baita thriller, com atuações competentíssimas e um bom roteiro. Conta a favor toda a discussão que a série traz sobre o papel da mulher na sociedade da época, sobre machismo e sobre violência contra a mulher. Eu e minha esposa devoramos rápido a primeira temporada, que tem três episódios de pouco mais de quarenta minutos com o primeiro caso do grupo. "E por que essa série é um QUASE", você deve estar se perguntando? Por conta da segunda temporada, que infelizmente apresenta um ritmo mais lento e um roteiro um pouquinho mais preguiçoso, na minha opinião. Com quatro episódios e dois casos diferentes, a segunda parte do seriado perde muito também com a saída de uma das protagonistas da primeira. Mas ainda assim é uma daquelas coisas escondidinhas na Netflix que merece uma maratona no final de semana. Ah, tem podcast no Iradex sobre a série, num programa muito legal capitaneado pelas meninas do grupo.

Frequencies

Lançado de forma independente em 2013, conheci Frequencies (que também pode ser encontrado na internet como OXV: The Manual) numa indicação que o meu amigo Gabriel Franklin fez num podcast do Iradex. A premissa é (ou parece) ser bem simples: estamos num mundo onde cada pessoa emite uma frequência que pode ser medida. Esta frequência define seu sucesso, quase como se uma frequência maior determinasse uma maior probabilidade de você vencer na vida. Neste contexto conhecemos Zak e Marie, respectivamente uma pessoa de baixa frequência (um valor negativo) e outra de alta frequência. Por terem frequências muito diferentes, os dois mal conseguem ficar no mesmo espaço sem que um pequeno desastre aconteça. Pronto, com o universo (e toda a sociedade) condenando esta união, é claro que os jovens vão se apaixonar, numa história de amor proibido embalada por experimentos científicos e conceitos filosóficos. Mesmo com uma produção caseira, o filme consegue criar uma atmosfera curiosíssima e instigar o espectador. A primeira metade do filme usa a estranheza do mundo onde a história se passa a seu favor (e neste sentido até mesmo o jeito indie da produção ajuda). Mas aí vem o plot twist. Uma reviravolta no meio do filme diminui a força do elemento mais interessante da história pra mim: a relação entre Zak e Marie. Quando se volta para o emaranhado de filosofia e física do qual o universo da história depende, o filme perde bastante. Na verdade QUASE se perde completamente. E olha, eu fui um daqueles que amava matemática na escola e hoje adora esses filmes cabeçudos e cheios de interpretações e mesmo assim fiquei perdido no final do filme, de um jeito que eu não acho legal. Então se você gosta de filmes que te deixem pensando e que te fazem correr para ler um monte de textos a respeito, Frequencies deve lhe agradar. Se não gosta ou não tem paciência pra coisas assim, É MELHOR PASSAR BEM LONGE.


Já viu Frequencies ou The Bletchley Circle? Comenta lá embaixo e me diz se é um QUASE pra você também. Tem alguma coisa aí que você viu recentemente e quer me indicar? Aceito. :)

O texto passado gerou muitos comentários apaixonados e saudosos sobre Gravity Falls... Eu também ainda estou na fase de luto com o fim.

Ah, é sempre bom lembrar que estou colocando tudo que leio nos meus perfis no Skoob (me sigam também no meu perfil de autor) e Goodreads e o que assisto está indo pro Filmow. Cliquem nos links e me adicionem por lá. E, se já leu meus quadrinhos, não esqueça de deixar sua avaliação neles.

Sempre esqueço de dizer aqui o quanto me divirto com o meu Instagram... Tem um pouquinho do meu cotidiano lá, caso alguém se interesse.

Você pode também deixar um comentário sobre esse texto no meu Facebook, no post sobre ele.

Bem rapidinho

  • Recentemente pude participar do podcast Os 12 Trabalhos do Escritor, do escritor AJ Oliveira. Cada episódio do podcast aborda um aspecto da carreira de escritor e tem vários convidados de alto nível (até agora já participaram André Vianco, Fábio M. Barreto, Felipe Colbert, Enéas Tavares e Eduardo Spohr). Tive a honra de falar sobre a importância da figura do leitor beta no quarto episódio do projeto. Uma coisa legal deste papo é que pude ainda falar em mais detalhes da experiência de escrever e lançar Steampunk Ladies: Vingança a Vapor, de uma forma como ainda não tinha tido oportunidade. Clique aqui para escutar.
  • Sei que bastante gente que acompanha meus textos trabalha com quadrinhos. Se você faz parte desta estatística, é bom avisar que estão abertas as inscrições para votantes do Trófeu HQMIX, o prêmio mais importante das histórias em quadrinhos no Brasil. Como votante, você pode ajudar a escolher os indicados e os premiados do troféu. Se você é desenhista, roteirista, colorista, artefinalista ou trabalha em qualquer outro aspecto da produção de uma história em quadrinhos, está apto a ser votante. Profissionais que falam sobre quadrinhos em revistas, jornais, blogs, podcasts etc. também podem se inscrever. As inscrições vão somente até dia 30/06. É só acessar este link.
E é isso. Te empolguei ou pelo menos QUASE isso?


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31 de maio de 2016




 Olá, olá!

Tô tentando ficar em dias com minhas coisas, com meus trabalhos, com minhas filhas, tudo assim mesmo no plural. E quase, EU DISSE QUASE, não saiu e-mail este mês. Apertou tudo, mas apertou também a minha vontade de escrever sobre um desenho animado pra vocês. Só um, no singular. Mas vai valer a pena.
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A gravidade cai

Desde que nossa primeira filha nasceu que eu e minha esposa temos tentado ter bastante cuidado com o que vemos na tevê. Eu, que sempre fui fã de produções mais realistas e mais cruas, encarei o desafio de encontrar coisas com uma pegada mais “para toda a família”, mas que não duvidassem da inteligência das minhas filhas (e nem da minha mesma). Exatamente por ser fã deste conteúdo mais pesado (e concentrar boa parte da minha produção como autor neste sentido) é que admiro demais quando um autor consegue acertar em cheio numa produção para todas as idades. E este é o caso de Gravity Falls – Um verão de mistérios, animação do Disney Channel. Apesar de ter iniciado em 2012, só descobri GF recentemente, após um post no site Collant sem Decote. A capinha do desenho animado já tinha me chamado atenção várias vezes entre as opções da área Kids da Netflix, mas depois de ler o texto resolvi iniciar uma maratona junto com a Lana, minha filha de dois anos. Conhecemos a história de Dipper e Mabel, casal de irmãos gêmeos que vão passar as férias de verão com seu tivô (uma abreviação de tio-avô), Stan, proprietário da Cabana do Mistério, uma “armadilha para turistas” numa pequena cidade do Oregon chamada Gravity Falls. Mas esta cidadezinha guarda segredos. A partir da descoberta de um misterioso livro, Dipper inicia uma jornada para descobrir o porquê de tantos eventos sobrenaturais acontecerem na cidade, sempre acompanhado por Mabel e vários coadjuvantes divertidíssimos. A estrutura da história é a que ficou consagrada em produções como Arquivo X, com o “monstro da semana”. E aí é que começam os diferenciais do desenho. Cheio de mensagens secretas, códigos e mistérios apontando para uma trama de fundo maior, GF entretêm as crianças com o nonsense típico dos desenhos animados mais atuais (uma função de Mabel na narrativa), mas honrando a tradição de histórias de teorias da conspiração cheias de simbolismos numa narrativa mais linear (personificada no metodismo de Dipper). Assim se faz um produto que REALMENTE É para adultos e crianças. Sim, por que muita gente acha que dizer que um produto é destinado para todas as idades é o mesmo que dizer que ele é feito para crianças. Nã-nã-ni-nã-não. Com várias camadas narrativas, Dipper e Mabel atingem públicos diferentes de formas diferentes. As gags (obrigado, Luis Carlos Sousa, por me lembrar o termo) estão lá, mas também estão a complexa trama de conspiração e os milhares de easter eggs para os pais na casa dos trinta. Se você já cruzou esta linha, como eu, pode comemorar: você vai se divertir muito. Referências a animações em stop motion, jogos de luta (o que rende um dos melhores episódios da série), viagens no tempo e RPG são aquele temperinho secreto da série. E como eu sei que existe uma parcela de pais atuais que tem que se esforçar para entender/gostar dessa nova linha de animações capitaneada pela Cartoon Network, fique tranquilo: Gravity Falls está mais para um Duck Tales modernizado do que para A Hora da Aventura. Mesmo sendo um sucesso absoluto de audiência no canal e com vários prêmios no currículo, a animação teve uma exibição bem irregular. Com apenas duas temporadas, GF começou em 2012 e terminou somente em fevereiro de 2016. No Brasil o final da série acabou de ser exibido pelo Disney Channel, quase quatro anos após seu início. Existe MUITA coisa ainda que eu poderia falar sobre a série, que tem um monte de personagens com mensagens muito legais (a dupla de policiais e a personagem Grenda são meus destaques), um episódio piloto absurdo de bom (que coloca esse desenho animado entre as coisas sobre irmãos mais legais que já vi, junto com Fullmetal Alchemist), um dos melhores vilões infantis de todos os tempos, uma abertura cabulosíssima e um final emocionante. Dava pra falar mais coisa, mas vou deixar alguns mistérios pra você desvendar.

Tem alguns episódios de Gravity Falls para ver gratuitamente no site do Disney Channel. E tá lá na Netflix, embora incompleto até o momento em que escrevi este texto (faltam os últimos sete episódios da segunda temporada, provavelmente por que eles foram exibidos recentemente no Brasil).
(dois em cada três textos sobre Gravity Falls usam este gif para convencer as pessoas a assistirem a série)
Já viu Gravity Falls? Deixa um comentário pra gente conversar a respeito (E A VONTADE QUE SE TEM É DE CONVERSAR COM ALGUÉM DEPOIS DO FIM).

Depois do texto passado recebi a indicação do Max Krichanã da HQ Providence, nada menos que Alan Moore explorando Lovecraft. Já esperando a Panini colocar essa belezura em alguma estante ao meu alcance.

É sempre bom frisar que estou colocando tudo que leio nos meus perfis no Skoob (também no perfil pessoal) e Goodreads e o que assisto está indo pro Filmow. Cliquem nos links e me adicionem por lá. E se já leu meus quadrinhos, (IMPORTANTE! IMPORTANTE! IMPORTANTE!) não esqueçam de deixar a avaliação de vocês.

Você pode também deixar um comentário sobre esse texto no meu Facebook, no post sobre ele.

Bem rapidinho

Depois de assistir Gravity Falls, manda uma mensagem pra sua irmã ou pro seu irmão. Eu mandei pros meus. ;)

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5 de abril de 2016


Olá, olá!

Por aqui a temperatura melhorou. Tá chovendo, a gente comemora. As trovoadas estão acontecendo bem abaixo das nuvens também, com a situação política brasileira num ruído tão grande que nas redes sociais se criaram torcidas organizadas. A minha timeline estaria dominada até agora por isso, não fosse a estreia recente de Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Porém quem está brigando mesmo nesse filme não são o Último Filho de Krypton e o Cavaleiro das Trevas, mas as duas massas que se formaram: aqueles que amaram o filme e aqueles que odiaram. Eu não vi ainda. Tanto quanto a história propriamente dita, a arte também gera boas discussões. Já fui questionado por outros artistas sobre defender pontos de vista em meus trabalhos. Acho que por ter tido meu primeiro contato com criação artística compondo para uma banda de punk rock/hardcore, eu dificilmente escreverei algo na minha vida sem tentar fazer as pessoas refletirem a respeito de algum tema. E acho que o artista tem a sua função na maioria das discussões políticas. Mesmo quando ele não quer, mesmo quando ele se diz neutro. Afinal não escolher também é uma escolha. Isso tudo é pra dizer o quanto eu aprendi sobre história, política, ciência etc. lendo livros de ficção científica, histórias em quadrinhos de super-heróis e filmes de cowboy. Ainda preciso do livro de história, mas a arte ensina muita coisa. E, por isso, precisamos falar do último disco do Emicida.

Mas antes... Esse texto é uma cópia do que as pessoas que assinam a minha newsletter recebem. Quer receber por e-mail meus textos ao invés de ter que ficar voltando aqui? Basta colocar seu e-mail e seu nome nos campos no final deste texto e clicar em SUBSCRIBE, ok? 

O primeiro Leandro

Eu não estava preparado psicologicamente para Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa..., o novo CD do Emicida. Eu não sou exatamente um fã de rap, nacional ou internacional, mas o primeiro álbum deste cara (que nasceu como Leandro Roque de Oliveira) foi uma das grandes surpresas musicais de 2013. Em O glorioso retorno de quem nunca esteve aqui, Emicida já mostrava que seu amadurecimento artístico estava completo. Agora, com SCQPLC (vamos abreviar, né?), vemos um álbum político e poderoso, um manifesto, em especial, contra o racismo. Eu digo "em especial" por que apesar de a grande bandeira do Emicida ser contra o preconceito racial, numa análise mais profunda você encontrará um disco que canta em favor das minorias. O ponto máximo do álbum é a agressiva Mandume, desde já uma obra-prima do rap nacional, na opinião deste relator. Abrindo mão da maior parte da música para dar voz a vários outros rappers, o cantor endossa os discursos, entre outros, de Drik Barbosa e Rico Dalasam, mulher e homossexual assumido respectivamente. O primeiro single lançado de SCQPLC, Boa Esperança, quebrou a internet no lançamento. É um vídeo incômodo, como a maior parte do álbum. Pelo menos pra mim este álbum é um soco no estômago. Em muitas músicas eu senti que o Emicida conversava comigo, com o Zé Wellington mesmo. Sou homem, branco e heterossexual e não é fácil me reconhecer como privilegiado. Mas é preciso. Resultado de uma viagem do cantor à Africa, das músicas a arte do disco (um trabalho maravilhoso do estúdio Black Madre) o disco é quase um documento, daqueles que nos fazem questionar os livros de história, como o próprio Emicida já falou. No meio de tanta porrada, há, sim, as baladas, como a linda Passarinhos e Baiana, que coloca Emicida junto com Caetano Veloso. E depois deste álbum o rapper merece mesmo um lugar entre os grandes nomes da música brasileira.



O segundo Leandro

"Mas, Zé, no seu primeiro texto você falou de tudo menos quadrinhos", alguns disseram. Ok, então vou começar lá em cima, com o nível no espaço sideral. Eu sou um cara muito curioso. Daí quando algo começa a ser muito comentado na internet e comentado pelas pessoas certas (aquelas pessoas que você gosta de seguir nas redes sociais por conta das indicações que elas fazem), você começa a achar que tem que verificar aqueles elogios por conta própria. E eu vi crescer no final do ano passado o hype em cima de Dupin, graphic novel do brasileiro Leandro Melite (também conhecido no cenário independente como L. M. Melite). Livre adaptação das aventuras de C. Auguste Dupin, detetive criado por Edgar Allan Poe (e que inspiraria outros detetives da literatura, como o célebre Sherlock Holmes), o quadrinho narra o encontro do solitário Gustave e seu inseguro primo Eduardo. Forçados a viver na mesma casa, os jovens decidem investigar por conta própria um estranho assassinato. Quem já conhece o trabalho do Melite vai sacar rapidinho que a investigação é um grande McGuffin. Dupin, na verdade, é uma grande jornada de autoconhecimento. Mesmo com um desenho simples (mas longe de ser simplório), o autor entrega uma boa aventura cheia de experimentalismos. E após ler uma entrevista com o Leandro no site Vitralizado (que eu recomendo fortemente para quem é ou quer ser autor de quadrinhos) eu percebi que esta discussão entre comercial e autoral é algo que o incomoda. Por sorte, esta HQ oferece um meio termo muito interessante. Como bônus, a trama é cheia de easter eggs para quem gosta de quadrinhos, já que os dois protagonistas são fãs de super-heróis. Enfim ler trabalhos de autores como Melite (e ainda incluo aqui outro brasileiro, Marcello Quintanilha, do qual eu devo falar para vocês em breve) é de dar um alívio enorme. O alívio é ver que, mesmo com tantos problemas no "mercado" brasileiro de quadrinhos, alguns autores ainda conseguem atingir este nível de maturidade como contadores de história. Dupin teve pouquíssimo espaço na mídia, então não se engane e conheça esta obra agora.



Já conhecia o novo álbum do Emicida ou Dupin? Deixa um comentário pra gente conversar a respeito. Várias pessoas interagiram à postagem passada. Vou compartilhar as indicações que me fizeram com vocês:
  • O Thiago Lins me indicou Treme, que explora as consequências do furacão Katrina. Não vi ainda, mas é HBO, então há altas chances de ser bom.
  • A Paloma Diniz indicou Love and Rockets, dos irmãos Hernandez. É um pecado mortal que eu ainda não tenha lido nada desta série consagrada. Espero corrigir isso em breve.
  • A Paloma indicou também One Piece. Vi uns trinta a quarenta episódios do anime na época em que ele foi lançado e me diverti bastante. Esta aventura com piratas é uma parada comercial, mas que escapa das armadilhas do gênero. Não continuei por motivos de FICOU GRANDE DEMAIS (mais de 700 episódios e contando). Quem sabe um dia volto.
  • O meu amigo Mackenzie Melo, lá de Massachusetts (pra não perder a oportunidade de falar essa palavra linda), indicou Mozart in the Jungle, sobre os bastidores da música erudita. Tem música e tem o Gael García Bernal, um ator que sabe escolher bem seus projetos. Já tá na lista.
  • O Mackenzie indicou também The Man in the High Castle, série que adapta o livro do mesmo nome (no Brasil O Homem do Castelo Alto, lançado pela Editora Aleph), do escritor Philip K. Dick. A história é um grande E SE, no caso explorando o que aconteceria se a Alemanha tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial. Vi o piloto da série na época em que foi lançado e achei INCRÍVEL. A indicação do Mackenzie me lembrou que tenho que voltar para esta série o quanto antes. Assistam comigo e conversamos sobre ela mais à frente.

Enfim, MUITO OBRIGADO pelas indicações. QUERO MAIS.

É sempre bom frisar que tudo que leio estou colocando nos meus perfis no Skoob (também no perfil pessoal) e Goodreads e o que assisto está indo pro Filmow. Cliquem nos links e me adicionem por lá. E se já leu meus quadrinhos, não esqueçam de deixar a avaliação de vocês.

Você pode também deixar um comentário sobre esse texto no meu Facebook, no post sobre ele.

Bem rapidinho

Falei dos meus quadrinhos e me veio a dúvida: interessa a vocês acompanhar um pouco do processo da minha próxima HQ? Se sim, recomendo uma visita ao meu Tumblr.

E é isso. Fiquem felizes, não deem espaço para o ódio e até a próxima.



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25 de fevereiro de 2016

 
Olá, olá!

Dia quente hoje. Estou digitando o mais suave que posso para não acordar a Lana e a Clarice. Esse texto é uma cópia do que as pessoas que assinam a minha newsletter recebem. Quer receber por e-mail meus textos ao invés de ter que ficar voltando aqui? Basta colocar seu e-mail e seu nome nos campos no final deste texto e clicar em SUBSCRIBE, ok?


Antes de sair me promovendo, como sempre, posso indicar algumas coisas?

Homem de Um Murro Só 
Nos últimos tempos fiz algumas tentativas de conciliação com o mundo dos animês, os desenhos animados japoneses. Infelizmente nada que haviam me indicado conseguiu prender minha atenção como Cowboy Bebop e Fullmetal Alchemist já haviam feito. Minhas últimas experiências começaram bem, mas em algum momento fui vencido pelo cansaço e por um montanha de clichês (Death Note e Sword Art Online, estou falando com vocês). Mas minha curiosidade fez com que eu desse uma chance a um tal de One-Punch Man. A primeira vista parece um (violento) animê de ação, mas no fundo é uma grande paródia deste gênero (e um pouco do gênero de super-herói). A premissa é a seguinte: existe um herói e ele só precisa de um soco pra vencer qualquer inimigo. Fim.

Acompanhar um herói invencível poderia ser chato, mas seu criador, o mangaká conhecido apenas como ONE, consegue explorar todos os clichês do gênero de uma forma divertidíssima. Mas mais legal é a história por trás do animê, que começou como uma webcomic tosquinha (sério, olha o primeiro capítulo aqui), fez um sucesso absurdo na internet e ganhou um remake com a arte mais refinada por outro japonês, Yusuke Murata. O visual de Murata é o que o animê usa como base, mas em vários momentos cômicos temos vislumbres do estilo único (e quase primitivo) de ONE, que precisou "apenas" de uma boa história para conquistar o mundo com seu personagem sem noção. Enfim, deixo esta recomendação pra vocês. A editora Panini, que não é boba, lança o mangá no Brasil este ano. E eu já garanti a assinatura.




Transparecendo
Ok, talvez animê não seja a sua praia. Posso fazer uma segunda tentativa? Nesses dias terminei de ver a primeira temporada de Transparent, uma série original da Amazon. A empresa, mais conhecida como loja de livros, também tem investido em conteúdo de qualidade pra tevê (a exemplo da Netflix). Criada por Jill Soloway, a série inicia quando Mort, um senhor divorciado e pai de três filhos, decide se tornar Maura. Com um formato que eu não havia experimentado ainda, uma dramédia contada em 10 episódios de menos de meia hora cada, o seriado me fisgou rápido. Num estilo de roteiro, direção e edição muito semelhante ao dos filmes do Noah Baumbach (assista A lula e a baleia e se apaixone), cada episódio é uma pequena preciosidade. É também uma oportunidade pra quem quer conhecer um pouco mais sobre sobre transexualidade, sem muitos didatismos. É uma das melhores coisas que assisti na atualidade, uma produção linda em cada detalhe, das atuações até a sacada brilhante do título da série (transparent é transparente em português, o que faz alusão aos segredos de família explorados na série, mas também pode ser lido como trans-parent, ou "pai/mãe trans"). A série levou alguns Globos de Ouro e já teve a segunda temporada lançada (que ainda não comecei a ver). Meus amigos do Iradex falaram sobre ela num podcast que eu recomendo.



E é isso. Já viu One-Punch Man ou Transparent? Responde o e-mail pra gente conversar a respeito. Quer me indicar algo parecido? Aceito. :)

Ah, tudo que leio estou colocando nos meus perfis no Skoob (também no perfil pessoal) e Goodreads e o que assisto está indo pro Filmow. Cliquem nos links e me adicionem por lá.

Bem rapidinho


Queria, antes de finalizar este e-mail, agradecer a todos que votaram em Steampunk Ladies para o Troféu Ângelo Agostini. A campanha deu muito certo e o desenhista da HQ, Di Amorim, levou a premiação na categoria melhor desenhista. Amo vocês, viu?

Lembrando que a HQ está disponível no site oficial da Editora Draco com frete grátis para todo Brasil. Para quem é assinante do Social Comics, basta clicar aqui pra ler.


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31 de dezembro de 2015

 
Em 2015:
- Tive minha SEGUNDA filha (se esse ano fosse apenas uma palavra ela seria "família");
- Publiquei meu SEGUNDO livro (na verdade uma história em quadrinhos, mas acho que conta);
- E não plantei uma árvore... Mas, pelo Sebrae, ajudei vários bovinocultores de leite a plantarem palmas no semiárido cearense que esperamos que sejam alimento neste ano que vem. E esse foi apenas um dos pontos altos do meu trabalho pela instituição este ano. Consolidei ainda meu trabalho na Faculdade Luciano Feijão. E ainda tenho ajuda a Lara no sonho do seu primeiro negócio.

E ainda:
- Fiz um podcast em formato storytelling com a ajuda da galera do Iradex e foi uma das experiências mais transformadoras da minha vida, que deve repercutir em tudo que eu fizer daqui em diante;
- Fechei um ciclo com os amigos da Sobre o Fim com o terceiro EP da banda;
- Fui indicado ao principal prêmio das histórias em quadrinhos no Brasil;
- Com a ajuda do Sebrae organizei um evento memorável onde aconteceu a primeira Artists' Alley do Ceará propriamente dita e que serviu de base para outras que aconteceram este ano.

Esse foi meu ano mais centrado, onde consegui realizar coisas que planejei.

Aconteceram coisas ruins? Claro que sim. Tive momentos muito difíceis, fiquei pra baixo mesmo em vários momentos. Mas já faz um tempo que eu foco nas coisas boas e me dou o direito de comemorá-las. Das coisas ruins eu faço como com a gasolina: processo e queimo pra que vire combustível e movimento.

Então aos meus amigos eu não desejo expectativas para um ano bom em 2016. Eu desejo que vocês tenham a clareza e a paciência para planejar o que querem e o foco e a disciplina para chegar lá. E se precisarem de mim é só chamar.

Ah, e se quiser ser um dos primeiros a saber das minhas novidades no ano que vem, coloquem seu e-mail aqui embaixo e clique em SUBSCRIBE:



 
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