25 de maio de 2019

Cordel de Cangaço Overdrive + indicações brasileiras steampunk (Lista do Zé #23)


Olá, olá!

Falei no texto passado que meu próximo projeto é o segundo volume de Steampunk Ladies. Depois de quatro anos do lançamento do primeiro, garanto que a espera vai valer a pena! Pensando nisso, preparei um pequeno guia com a indicação de algumas obras recentes nacionais na temática steampunk, pra você ir entrando no clima.

Além disso, falo sobre minha primeira publicação em literatura de cordel: Cangaço Overdrive: Passado e futuro. Este cordelzinho foi distribuído para quem comprou minha HQ Cangaço Overdrive na CCXP 2018 e agora é a sua vez de ter acesso em formato PDF. Vale dizer que não tem spoilers do quadrinho original, então pode ler antes dos quadrinhos, tá? E para quem já leu a HQ, é hora de conhecer um pouquinho mais sobre a origem dos personagens dos grupos de Cotiara e Rosa.

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Uma das coisas mais elogiadas em Cangaço Overdrive é a narração em cordel. Foi uma das primeiras ideias que tive antes de iniciar o roteiro do quadrinho. Não sou poeta, mas rimar uma história não era pra ser tão complicado, afinal eu tive banda por mais de dez anos e já compus algumas músicas, certo?

Na prática o negócio foi mais complexo (imagina aí acertar texto e imagem, tendo que se preocupar com a rima e também com a métrica própria do cordel?). De qualquer forma, depois dessa experiência maluca eu fiquei doido pra fazer mais. Então para a CCXP do ano passado eu pensei que um brinde legal seria um pequeno cordel, que foi impresso e depois cortado e montado manualmente. O cordel explora a origem de alguns dos personagens da HQ. Agora é sua vez de tê-lo, clicando no link abaixo:

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Steampunk brasileiro

Lá pela década de 80 a ficção científica vivia um dos seus momentos de ouro, especialmente na literatura. Nesse contexto foi criado o tal cyberpunk (já falei um pouco sobre isso), título de um conto do escritor Bruce Bethke e que acabou definindo um novo gênero. A frase que resume o estilo é o "high tech, low life", referindo-se a um futuro extremamente tecnológico, mas de péssimas condições de vida. Já no final da década de 80, o escritor K. W. Jeter, procurando uma expressão para designar trabalhos que se passavam no passado e que remetiam aos conceitos do cyberpunk, cunhou o steampunk. Ao invés do futuro, os cenários/períodos históricos favoritos do gênero eram a Era Vitoriana Inglesa e o Velho Oeste Americano pós-segunda revolução industrial, por isso o "steam" do nome, uma alusão à tecnologia a vapor vigente na época. A principal brincadeira era imaginar estes períodos com tecnologia mais avançada. Vale dizer que depois surgiram outras vertentes, com combustíveis diferentes alimentando as cabeças dos autores: teslapunk (em alusão às primeiras máquinas elétricas), dieselpunk (diesel das máquinas nas guerras mundiais), atompunk (energia atômica) e até solarpunk (que leva a discussão de volta para o futuro, com energias limpas). Mas esses outros ficam para um próximo texto...

E no Brasil? Muita coisa stempunk tem sido lançada no Brasil nestes mais de trinta anos. Fazer uma lista é um negócio espinhoso e para essa me concentrei em trabalhos mais recentes. Lá no meu blog eu pretendo aumentar esta lista nos próximos meses (e tô guardando na agulha um texto sobre ficção científica nacional em que quero explorar os títulos mais clássicos, em breve neste mesmo canal).


Vaporpunk

O Steampunk feito no Brasil se enraizou no fandon primeiramente através de livros de contos, especialmente antologias de editoras de gênero. Embora não possa deixar de reconhecer os trabalhos de editoras como a Tarja (in memorian) e a Estronho, foi a Draco que pavimentou essa estrada, especialmente com os dois volumes de Vaporpunk. Embora livros de contos de autores diferentes costumem apresentam trabalhos melhores e piores, considero o nível dos dois livros bem alto, possivelmente por que temos alguns dos escritores mais prolíficos do gênero no país: Octavio Aragão, Flávio Medeiros, Eric Novello, Carlos Orsi, Fábio Fernandes, Romeu Martins, Dana Guedes, Nikelen Witter, Luiz Bras, Sid Castro, Jacques Barcia, Cirilo S. Lemos e Gerson Lodi-Ribeiro. Vale dizer que o primeiro volume também tem participação de autores portugueses. Esses livros foram só o pontapé para uma coleção chamada Mundo Punk, que também incluiu as coletâneas Dieselpunk e Solarpunk (que foi uma das primeiras iniciativas no gênero do mundo e já foi traduzida para o inglês). Nada como encerrar o ciclo com um livro sobre Cyberpunk, que iniciou todo o gênero, né? Na campanha que está rolando do livro, tem uma recompensa para levar TODOS os livros do Mundo Punk (mais a coletânea em quadrinhos Periferia Cyberpunk) por apenas R$ 200,00. Apoie a coletânea até o dia 29/05 e leve a coleção completa por esse precinho camarada!

Le Chevalier

Um espião francês sem passado é o indicado por Napoleão em casos em que o Império Francês precisa resolver com discrição. Iniciado num romance do escritor A.Z. Cordenonsi, Le Chevalier e a Exposição Universal, as aventuras do personagem seriam expandidas também para uma série de contos e duas histórias em quadrinhos, Le Chevalier: Arquivos Secretos Vol. 1 e Le Chevalier nas Montanhas da Loucura (com roteiros do escritor e desenhos de Fred Rubin, que eu considero o "Mignola brasileiro"). As aventuras do cavaleiro são uma boa pegada para quem gosta de histórias despretensiosas e cheias de ação.

Brasiliana Steampunk

Se na indicação anterior o autor resolveu expandir seu universo além da literatura, aqui nós vamos ainda mais longe. Estudioso da arte transmídia, o escritor Enéias Tavares toca o ambicioso projeto Brasiliana Steampunk, que concentra a história num Brasil ficcional onde personagens clássicos da nossa literatura interagem entre si. No centro das tramas, um grupo de aventureiros autodenominado Parthenon Místico. Os passos que consolidaram este universo foram dados no romance policial A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison, que narra através de cartas e "gravações mecânicas" os acontecimentos que se seguem após a prisão de um assassino serial na cidade de Porto Alegre dos Amantes. Não bastasse ter escrito um dos romances mais inventivos da ficção científica nacional, Enéias seguiu ampliando seu universo em direção a outras linguagens, incluindo vários contos, um suplemento escolar, áudios dramáticos, um jogo de tabuleiro (Cartas a Vapor), webcomics e agora uma audaciosa série em live action. Dá pra se perder por bastante tempo neste universo!

Arcane Sally & Sr. Vapor

Lançada primeiro online no Tapas em inglês e depois impressa em edição nacional numa campanha no Catarse, a história em quadrinhos Arcane Sally & Sr. Vapor é escrita pelo norte-americano David Alton Hedges com desenhos do brasileiro Jefferson Costa (La dançarina, Jeremias: Pele). Misturando os conceitos científicos do steampunk com fantasia (uma tendência nos últimos anos), acompanhamos Sr. Vapor, um agente da coroa britânica, e seu fiel valete Sr. Runnymede em caça a um criminoso que supostamente voltou dos mortos. Para isso eles contarão com uma nova e misteriosa parceira, Miss Sally. Essa edição nacional compila os três primeiros capítulos da webcomic (que é tudo que saiu até agora... Cadê o resto, Jefferson??).
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Depois quero saber sua opinião sobre o meu cordelzinho! Tem outras indicações steampunk nacionais? Comente aí embaixo. Você pode também deixar um comentário sobre este texto no meu Facebook ou no meu Instagram.

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Já leu Quem Matou João Ninguém?, Steampunk Ladies ou Cangaço Overdrive? Se não, compre na Amazon nos links abaixo. Já leu? Ajude a espalhar a palavra do Zé e deixe sua avaliação lá no site deles!
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Alimentem as caldeiras, que tenho um quadrinho para terminar!

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