11 de julho de 2009

Sebastião: sangue preto – parte final

sebastiao_vampiro

Leia a parte 1.
Leia a parte 2.
Leia a parte 3.
Leia a parte 4.
Leia a parte 5.
Leia a parte 6.
Leia a parte 7.
Leia a parte 8.
Leia a parte 9.

– Eu era só um garoto de dez anos quando viajei à Europa com meus pais – em meio aos delírios, ouvi a voz de Lúcio conversando serenamente comigo – minha mãe era uma das mulheres mais lindas que já existiram e meu pai um austero rico senhor. Quando chegamos em Lisboa nossa família chamava a atenção dos burgueses europeus. Eu me chamava Pedro. Nunca gostei do meu nome. Era o primogênito de Antônio Maria, que na época gozava de uma das maiores plantações de cana do império. Seria tudo meu, se não fosse aquela criatura de branco. Aquela linda criatura de branco. A lua estava cheia, quando ela sussurrou no meu ouvido, na saída do teatro. Segurando as mãos dos meus pais, eu disse que ela havia falado comigo. Eles riram, falaram algo sobre um companheiro imaginário. Estávamos no restaurante mais rico da cidade. Meus irmãos mais novos, Jorge e Rita, dormiam em casa. Era quase meia noite, quando sai do restaurante com outra criança. Eu disse aos meus pais que ia até a rua brincar, mas, tanto eu quanto aquela outra criança, estávamos sendo chamados por aquela bela dama.

4 de julho de 2009

Sebastião: sangue preto – parte 9

sebastiao_incendio
Leia a parte 1.
Leia a parte 2.
Leia a parte 3.
Leia a parte 4.
Leia a parte 5.
Leia a parte 6.
Leia a parte 7.
Leia a parte 8.

– Huuum... Acho que teremos carne mal passada para o café da manhã de hoje, papai. – a eloqüência de Lúcio ao pronunciar cada palavra me espantava. O garoto falava como um adulto. Que espécie de demônio havia se apoderado daquele corpo? Naquele momento ouvimos pancadas na porta, seguidos por gritos.

– Vâmo, Francisco! A casa “tá” quase toda queimada...

– Ainda “taí”, Francisco?

Eram outros invasores da casa, que na certa deram por falta do escravo líder. Dois negros e um índio forçaram a porta para entrar. Não demorou a que a maçaneta fosse quebrada. Na primeira brecha da porta, Lúcio pulou com a boca no pescoço do índio e com a mão no pescoço de um dos negros. Sua força, tanto com a boca quanto a mão, era descomunal, quase destroçando os pescoços dos dois. O outro negro espantou-se com a cena e partiu em disparada, gritando coisas como “Satanás” e “coisa ruim”.

1 de julho de 2009

Sebastião: sangue preto – parte 8

Leia a parte 1.
Leia a parte 2.
Leia a parte 3.
Leia a parte 4.
Leia a parte 5.
Leia a parte 6.
Leia a parte 7.

– Calminha, sinhozinho, que hoje num é dia de sangue nêgo caí no chão. – bradou Francisco, fechando a porta do quarto


Um minuto de silêncio se fez no quarto. Se ouviam apenas os grunhidos de Lúcio. Antônio Maria estava quase sufocando pela mão de Francisco.

– Vamo, Tião... Passa pro lado... – enquanto falava comigo, Francisco se deu conta de Lúcio e da negra ensangüentada no chão – Que criatura é essa? Esse é o “fio” do senhor de engenho? “Matano” nossa gente... Esse “disgraçado” é o primero que vai morrer aqui!