27 de dezembro de 2018

Pra começar 2019 com animação (Lista do Zé #21)


Olá, olá!

Estranhou a falta de um "boas festas" no texto anterior? É por que eu ainda tinha uma carta na manga. Quem me conhece sabe que sou apaixonado por desenho animado, em todos os seus gêneros, espectros e nacionalidades. Inclusive, é um sonho meu um dia poder me envolver com isso. Então juntei algumas coisinhas pra começar 2019 com animação (tudunts!). Não é uma lista de melhores do ano por que a) nem tudo é de 2018 e b) bem que eu queria ter visto coisas o suficiente pra fazer uma lista dessa com propriedade mas o tempo não deixa. Por sinal, o que eu mais gosto das indicações abaixo é que são séries com episódios curtos e que são facilmente encaixáveis em momentos livres. E, tirando o bônus, todos estão disponíveis na Netflix. Ah, para dicas diárias e em tempo real, me siga no Instagram: instagram.com/zewellington


1. O PRÍNCIPE DRAGÃO

Foi quase, MAS QUASE MESMO, que deixei passar O Príncipe Dragão. Vendida como a nova animação das mentes criativas por trás de Avatar: A Lenda de Aang, a série se passa num mundo fantástico que me lembra mais Game of Thrones. Mas se a pegada da animação é bem mais pra família, o desenho animado e a série da HBO têm mais coisas em comum: apresentam personagens complexos e a mesma perspectiva sobre as nuances complexas entre o bem e o mal. Um dos maiores exemplos é o Lorde Viren, antagonista dessa primeira temporada. Habilidosamente os roteiristas manipulam seus interesses entre os dois lados da trama e o espectador nem sabe direito no que acreditar. E eu poderia facilmente construir um texto sobre cada um dos três personagens do grupo principal da série ou ainda dos incríveis coadjuvantes (como Claudia e Amaya), mas não quero estragar nenhuma surpresa. Resumindo: o roteiro é definitivamente o ponto alto. Como eu disse antes, eu quase dispensei a série, por conta do seu principal defeito já presente desde o primeiro trailer: a animação. A técnica de computação gráfica estranhíssima escolhida pela produção, com uma taxa de quadros por segundo reduzida, quase põe tudo a perder. Em algumas cenas de ação mais rápidas a impressão é que o vídeo está travando. Mas vá na fé, os olhos se acostumam rápido e a história envolve de uma forma que rapidamente vai embora a curta primeira temporada.

2. VOLTRON - O DEFENSOR LENDÁRIO

Estamos ainda naquelas produções em que, pelos trailers e divulgações, eu não daria nada. Remake de um anime da década de 80, Voltron – O Defensor Lendário é uma grande homenagem a essas produções de “mechas”, conhecidas vulgarmente como “filminhos de robô gigante”. A pegada aqui não é Power Rangers, mas algo mais pra Macross ou Gundam, outros clássicos japoneses. Beleza? Não, não. Esquece isso. Voltron, o robô lendário da série, se monta talvez umas quatro vezes na primeira temporada de 11 episódios da série. Capitaneado por uma experiente equipe de animação, o desenho animado ganha contornos complexos e histórias que focam no passado dos pilotos dos leões que formam o robozão. Como showrunners temos dois nomes quase ocultos do mainstream, mas que figuraram entre os principais desenhos animados lançados nos últimos vinte anos: Lauren Montgomery e Joaquim dos Santos (não estranhem o nome, Joaquim nasceu em Portugal). Os dois estiveram à frente de boa parte das boas (e algumas ótimas) animações lançadas pela DC Comics nos últimos vinte anos e ainda o já citado Avatar: A Lenda de Aang e sua continuação A Lenda de Korra. Dito isso, já se sabe o que esperar: uma trama cheia de nuances, com muita cabeça mas também bastante coração. E as lutas de robô contra monstros? Ah, tem delas também. São poucas, mas quando acontecem ocupam quase episódios inteiros e são bem empolgantes. Voltron não é a melhor coisa que você vai assistir na vida, mas vai te divertir bastante. Só vi a primeira temporada (de 2016) e assistir até a oitava já lançada é uma das primeiras resoluções para 2019.

3. HILDA

Provavelmente a melhor animação de 2018 na minha opinião, Hilda é uma adaptação da série de histórias em quadrinhos do mesmo nome, criada pelo inglês Luke Pearson. A animação aproveita um pouco dos quadrinhos, mas segue seu rumo próprio levando a personagem que dá nome às histórias para uma aventura na cidade. Olha, eu tenho duas filhas, uma de cinco e outra de três anos, e é um desafio diário encontrar coisas que consigam capturar a minha atenção e a delas ao mesmo tempo. Quando encontramos algo que elas gostam, é bobo demais pra mim. Aí eu encontro algo que eu gosto e parece perfeito pra elas e... Elas não tão nem aí. Quem é pai sabe como é. Por isso Hilda é ouro puro. Uma animação fofinha, com um design de personagens lindo, cenários de degradê hipnotizantes e trilha sonora de vídeo-game (feita pela canadense Grimes), capazes da tarefa hercúlea que é prender a atenção de uma criança com menos de dez anos. E ainda consegue usar todos esses elementos para embalar uma história poderosa, cheia de fantasia e mensagens positivas e onde nada é o que parece. E nada é por acaso também. Tudo acontece por um motivo e episódios que parecem isolados se conectam numa grande história. Hilda é uma verdadeira obra de arte da animação moderna. Se esse tipo de filme é a sua pegada, só veja.

4. RICK AND MORTY

Já falei sobre as duas primeiras temporadas de Rick and Morty (leia aqui). De uns tempos pra cá o negócio virou uma febre (e foi um dos temas que mais vi na CCXP deste ano). Então corre, por que a terceira temporada tá na Netflix! Sem dar muitos spoilers, eu adianto que é a temporada mais sombria e filosófica da série. No mesmo episódio que Rick vira um pickle (Pickle Rick!) e protagoniza uma (VIOLENTA) homenagem ao cinema de ação das décadas de 80 e 90, temos uma análise da família dos protagonistas num consultório psicológico que é um dos diálogos mais bem escritos que assisti nos últimos tempos. Rick and Morty continua uma animação MUITO ERRADA (e inapropriada para menores de 18 anos). Mas ainda assim é impossível deixar de assistir.

5. OSWALDO

Esse é um bônus, ok? Isso por que das animações que eu tô indicando aqui Oswaldo é a única que não tem na Netflix (mas deve estar disponível no Cartoon Network Já!, para quem tem CN na sua tevê por assinatura). Vivemos um momento incrível na animação nacional. O Brasil conseguiu derrubar várias barreiras e vincular seus conteúdos em canais como Discovery Kids, Cartoon Network e os canais da Disney, junto com algumas das maiores produções do mundo. E não é simplesmente uma cota sendo cumprida: algumas dessas animações estão entre as mais assistidas dos canais onde são vinculadas. Oswaldo, que mostra o dia a dia de um pinguim de 12 anos dentro de uma família “normal”, é um desses bons exemplos. Criado por Pedro Eboli e pelo Birdo Studio, a animação é um prato cheio para quem viveu sua adolescência entre internet, RPG e vídeo-games na (não mais tão próxima) década de 90. Com roteiros espertíssimos, o desenho sabe como fazer rir. Os 13 episódios da primeira temporada têm 11 minutos cada de humor bem feito para todas as idades. Oswaldo foi a animação mais assistida na Cartoon Network em 2017, mesmo enfrentando gigantes como Hora da Aventura e Steven Universo. Uma façanha merecida. E a segunda temporada vem aí em 2019.

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2018 foi um ano maluco pra mim. Mas foi o ano de Cangaço Overdrive, então acho que valeu muito a pena. Estou sendo marcado em algumas listas de melhores do ano e recebendo críticas e resenhas incríveis do trabalho (a última foi essa do Judão). Muito obrigado a todo mundo que comprou e/ou divulgou o quadrinho. Vocês me ajudaram a fazer esse ano um pouco melhor.

Para 2019 tem a continuação de Steampunk Ladies: Vingança a Vapor no forno, uma adaptação literária para HQ e uma vontade imensa de voltar à prosa (e, quem sabe, pelo menos terminar de escrever a primeira versão do meu primeiro romance). Existem outros projetos menores e muitos obstáculos. Mas eu sigo da mesma forma como sempre segui em toda minha vida: um passo por vez.

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Agora sim: um ótimo final de ano para todo mundo!

21 de dezembro de 2018

CCXP: como é estar no coração do evento (Lista do Zé #20)

FOTO: Autógrafos na mais perfeita ergonomia na Alley da CCXP.


Olá, olá!

Este ano lancei um quadrinho novo e já emendei a divulgação dele com a participação na Comic Con Experience, mais conhecida como CCXP, o que deixou esse semestre bem intenso. Por sinal, vou falar um pouquinho nesse texto da experiência de expor no evento e de participar como artista em convenções do tipo. Vai!

No coração do entretenimento brasileiro


Só no quinto ano de realização consegui participar pela primeira vez da CCXP, grande evento de entretenimento encabeçado pelo site Omelete e pela agência Chiaroscuro Studios (além de vários outros parceiros). Embora nunca tenha participado de eventos do tipo fora do Brasil, sei pelos depoimentos dos organizadores que a CCXP é baseada em eventos como a San Diego Comic Con e a New York Comic Con. O comic no nome já denuncia que os quadrinhos tiveram papel importante na origem desses eventos, mas já lá fora os estúdios de cinema (e agora também de televisão) vêm conquistando os maiores espaços de exposição. Aqui no Brasil não é diferente: nossa versão brasileira de uma grande convenção já é marcada pela divulgação dos grandes blockbusters vindouros. Mas os quadrinhos resistem e estavam representados nesta CCXP na participação de editoras como Panini, JBC e Jambô e ainda pela imensa Artists’ Alley, local onde se concentram os chamados artistas independentes (eu poderia fazer um texto inteiro sobre o uso do termo “independente” aqui, mas vou deixar pra uma próxima vez).

Há uma seleção acirrada pelo espaço na AA da CCXP. Foram aproximadamente 540 selecionados entre mais de 1.000 inscrições. Nós pagamos para ter um espaço lá, um valor que, embora venha crescendo ano a ano, ainda é menor do que o valor dos ingressos de quem vai apenas pra curtir. Para os artistas a CCXP é trabalho PESADO. Por contrato não podemos abandonar nosso espaço no evento. Embora na maioria dos casos as mesas do AA sejam duplas e permitam um rodízio (e este ano tive a companhia incrível do roteirista e letrista das estrelas Deyvison Manes), dificilmente quem está lá quer se ausentar do seu espaço, já que isso significa perder vendas (e num evento gigante como a CCXP, é pouco provável que alguém faça o mesmo caminho duas vezes). Em um dos dias, fora pequenos intervalos para banheiro e lanche, cheguei a ficar 10 HORAS na minha mesa em atividade intensa. Por que se os grandes nomes internacionais (alguns brasileiros, inclusive) podem se dar ao luxo de ficar sentados esperando as filas de autógrafo se formarem na sua frente, para a maior parte dos autores uma nova função na sua carreira precisa ser desenvolvida neste período de cinco dias de evento: VENDEDOR.

A maior parte do público passante da CCXP não consome quadrinhos. Muitos estão cientes da existência de grandes personagens dos quadrinhos, como Capitão América, Homem de Ferro e Superman, mas muito por conta dos filmes dos cinemas ou dos milhares de produtos licenciados (ou não). É nesse momento que o artista da AA precisa se apresentar e em alguns momentos até abordar algum curioso na frente da mesa para vender seu trabalho. Sei que para alguns colegas fazer isso é algo impensável e que os incomoda bastante. Eu meio que venho perdendo esta vergonha de evento pra evento, especialmente quando percebi que o que ganho desse contato é imenso, tanto na possível conversão da compra quanto num feedback imediato.

Nesta CCXP percebi o grande acerto que foi a criação do conceito de Cangaço Overdrive, que acabou sendo uma das grandes lições do evento. Misturar cangaceiros e ficção científica (além da sacada do nome do projeto e da belíssima capa feita pelo Daniel Canedo) gerou um grande número de pessoas parando em frente à minha mesa. Mas nem só de abordagens a curiosos foi feito o meu evento. Todo o trabalho que venho desenvolvendo nestes mais de dez anos fazendo quadrinhos trouxe à minha mesa muita gente que queria me conhecer e até mesmo completar a sua “estante do Zé”. Cada elogio e cada “esperando a continuação” que recebia gerava uma energia inexplicável (também conhecida como “quentinho no coração”). Contou também ao meu favor todo esforço de divulgação que fizemos, em mais uma parceria de sucesso com a Editora Draco, no decorrer de 2018. Além do buzz gerado nos primeiros meses de lançamento, antes do evento conseguimos alguns espaços importantes em veículos conhecidos em matérias com “quadrinhos indicados para conhecer no evento”. E aí vem o outro aprendizado: qual o melhor momento para fazer um lançamento de quadrinhos?

Primeiro tenho que destacar que, mesmo com toda minha organização para o evento, houve um ponto falho. O segundo volume de Steampunk Ladies deveria ser o meu lançamento para o evento, mas acabamos adiando o lançamento para não comprometer a qualidade do produto final. Lançado há mais de seis meses, Cangaço Overdrive acabou tendo que ocupar este lugar. Eu, que sempre evitei lançar meus quadrinhos próximo a grandes eventos por conta da grande concorrência no período (um dia também escrevo sobre isso), percebi o quanto seria vantajoso ter algo recente na CCXP. Meu estoque pessoal estava baixo (e preciso dizer que voltei para casa praticamente sem NADA do que levei). A situação só não foi pior por conta do apoio imprescindível que recebi da editora. Não acho que seja assim para todos os artistas, tanto que conheço colegas que não tiveram sua expectativa de vendas atendida no evento. Há algumas variáveis aí, mas penso que a maioria delas está relacionada com a habilidade que o artista tem para divulgar suas obras. Conta a meu favor minha dedicação nessa área e minha experiência profissional com marketing (meu trabalho na “vida real”). Como autor foi legal ver a saída e o interesse nas minhas obras. E olha que já fui a eventos em que eu tinha que me desdobrar para carregar de volta a maior parte do estoque que tinha levado... Pra minha sorte, a CCXP se confirmou como um local para vender, com um público sedento em consumir novidades.

Fico feliz por ter conseguido participar do evento. Meu ano foi conturbado e cheguei a desistir de ir ao evento no início do semestre. Há muito investimento envolvido nesta viagem de mais 3.000 km e a grana despendida, apesar de alta, nem é o maior dos gastos. Conciliar a vida profissional e pessoal sem muitas certezas dos retornos criam uma espécie de estresse pré-evento. Para estar na CCXP, abri mão, por exemplo, da festinha de final de ano da escola das minhas filhas, o que me gerou uma culpa enorme enquanto estava em São Paulo. E aí vale destacar o GRANDE apoio que recebi da minha esposa para encarar esta aventura. Felizmente, o resultado desta jornada foi a substituição do estresse pré-evento por uma satisfação pós-evento. Uma boa maneira de dar fim a 2018.

P.S. IMPORTANTE: nunca mude seu cabelo antes de um evento desse por que muita gente não vai te reconhecer.

Detalhe da minha mesa na CCXP 2018.


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Lá no Facebook (ou o que ainda resta dele) criei uma página, mais para poder atender a algumas necessidades de divulgação usando anúncios. Se você é um dos resistentes que ainda usam a rede, aproveita pra curtir: fb.com/zewellington (inclusive você pode deixar um comentário sobre esse texto no post dele lá).

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Ah, estou colocando tudo que leio nos meus perfis no Skoob (me sigam também no meu perfil de autor) e Goodreads e o que assisto está indo pro Filmow. Cliquem nos links e me adicionem por lá.

Já leu Quem Matou João Ninguém?, Steampunk Ladies ou Cangaço Overdrive? Que tal ir lá na Amazon e avaliá-los? Ajude a espalhar a palavra do Zé!
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Só vem, 2019!