25 de julho de 2016

Sobre a escrita (Lista do Zé #6)


Olá, olá!

Não passou nem um mês e estou aqui batendo na sua porta de novo, como um Jack Nicholson desesperado! Mas na verdade estou bem feliz hoje, que foi o que me trouxe a esta edição extra da lista.

Na semana passada saiu o resultado preliminar do Troféu HQMIX e tive a satisfação de saber que, pelo segundo ano consecutivo, estou indicado a categoria Novo Talento - Roteirista no principal prêmio de quadrinhos do país, desta vez pelo meu trabalho em Steampunk Ladies: Vingança a Vapor. Não bastasse isso, minha HQ ainda é finalista na categoria Colorista/Arte-finalista, pelo trabalho maravilhoso do piauiense Ellis Carlos nas cores. Eu precisava dividir isso com vocês.

A votação final (ou segundo turno) segue até o próximo dia 30, neste link (onde apenas votantes previamente cadastrados votam). O resultado deve sair já na semana que vem. Cruzem os dedos!

"Mas só isso?", "Você veio aqui só pra se autopromover hoje?", vocês devem estar se perguntando. Pra não ficar só nisso, resolvi compartilhar mais uma indicação, o último livro que li e provavelmente uma das melhores leituras que fiz na vida. Se escrever me trouxe mais uma vez aos indicados do HQMIX, vamos falar sobre com a ajuda de quem faz isso como ninguém.
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Sobre a escrita

Apesar de ter sido lançado em 2000 nos Estados Unidos, Sobre a escrita: A arte em memórias, do escritor Stephen King, demorou 15 anos para ter uma versão brasileira. Pra piorar, contrariando os vários elogios, só este ano subi o livro na minha pilha de leituras. Eu não sabia o que encontrar quando comecei a leitura deste "manual para escritores" de um dos autores que mais me influenciou (como vocês devem ter percebido no meu e-mail anterior).

Podemos dividir este livro em três partes. Na primeira parte, que o autor identifica como seu "currículo", vemos King contando sua história e os caminhos que o levaram a ser escritor, tudo da forma como ficou conhecido nos seus livros. A relação com a mãe e o irmão, os primeiros textos publicados e o duro caminho antes do seu primeiro grande sucesso são algumas das histórias contadas do jeito muito particular de Stephen King. Essa parte dá ao livro o tom de autobiografia pelo qual também é conhecido. Na segunda parte, o livro se torna um manual de fato. Mesmo dizendo que quer evitar criar regras, King fala sobre o seu processo nos mínimos detalhes. Numa guinada brusca de estilo e ritmo, nesta parte vemos um texto mais técnico. Se a primeira parte pode ser divertida para qualquer leitor, esta pode enfadar um pouco os não-escritores. Já para quem quer chegar onde King chegou, este pedaço é OURO PURO. Só é necessário compreender que o que King fala aqui se refere muito à sua realidade. Não dá pra levar tudo ao pé da letra, já que alguns tópicos não estão alinhados com a escrita em língua portuguesa ou com o mercado livreiro brasileiro (segure as pontas antes de sair cortando os advérbios dos seus textos ou procurar catálogos de agentes literários, como sugere King). E aí eu saio um pouco da resenha para dar uma sugestão. Com relação às dicas gramaticais, é melhor procurar manuais escritos por autores brasileiros. Sobre a parte de mercado, eu recomendaria sites como o Homo Literatus e o Viver de Escrita e podcasts como o Cabulosocast e Os 12 Trabalhos do Escritor, que exploram a profissão de escritor no Brasil no nível do livro do King. Voltamos à autobiografia na terceira parte, aqui já com um pouco de texto motivacional. Muito focado no acidente que o autor sofreu em 1999, acompanhamos a recuperação de King e como a escrita foi essencial neste processo. É o momento onde temos as dicas finais, entrecortadas por um relato detalhado de um dos momentos mais difíceis da vida do escritor.

Sobre a escrita é um trabalho de não-ficção de um dos reis da ficção e, vamos ser sinceros, podia ser uma bula de remédio ou uma intimação judicial: sendo escrita pelo King ainda assim valeria a pena a leitura. Curtinho, este é um livro pra se ler numa sentada num final de semana (ou, no meu caso, em algumas horas de uma viagem de trabalho). Para quem é fã do autor, um texto obrigatório. Para quem quer escrever, um apanhado de lições valiosas, algumas óbvias, outras nem tanto. E, se o rei falou, é bom escutar
* * *

Já leu Sobre a escrita? O que achou? Tem mais algum manual de escrita criativa para recomendar?

Ah, é sempre bom lembrar que estou colocando tudo que leio nos meus perfis no Skoob (me sigam também no meu perfil de autor) e Goodreads e o que assisto está indo pro Filmow. Cliquem nos links e me adicionem por lá. E, se já leu meus quadrinhos, não esqueça de deixar sua avaliação neles.

Você pode também deixar um comentário sobre esse texto aqui ou no meu Facebook, no post sobre ele.

Bem rapidinho


Fico por aqui hoje. Já está com os dedos cruzados?


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